Cerca de 350 famílias de agricultores sem-terra estão entrincheiradas na fazenda Santa Rosa, em Itaberaí (GO), e ameaçam enfrentar a Polícia Militar, que tem ordem da Justiça para desocupar o local até quarta-feira. Os sem-terra, cercados pela PM, estão armados com coquetéis Molotov (bombas de gasolina) e ‘‘instrumentos de trabalho’’ como foices, machados e facões.
‘‘Nós não temos casa, nem emprego, nem terra. Somos os sem-nada. Não temos motivo nenhum para sair daqui, mesmo com o risco de perder a vida’’, disse José Ferreira, o ‘‘Zé do Facão’’, um dos líderes do acampamento de sem-terra, erguido no dia 1º de dezembro. Segundo Ferreira, entre os acampados estão cerca de 150 crianças e adolescentes, além de 20 mulheres grávidas.
‘‘Se houver um massacre, os responsáveis serão o governo federal, o governo estadual e o juiz Renan de Arimatéia Pereira’’, afirmou Ferreira. O juiz, da comarca de Itaberaí, é o autor da ordem de desocupação.
Renan de Arimatéia Pereira afirma que já concedeu ‘‘prazo demais’’ para a desocupação da fazenda Santa Rosa. Ele se manteve irredutível na decisão de desalojar os sem-terra até a próxima quarta-feira, apesar dos apelos por prorrogação do Incra, do governo de Goiás e até do ministro da Justiça, Iris Rezende. ‘‘Foi um pedido implícito. O ministro disse que o governo estava tomando providências e que isso demoraria um pouco. Ele não pediria diretamente’’, disse Pereira. O juiz afirmou que espera a colaboração dos sem-terra. Eles já desocuparam a fazenda três vezes de forma pacífica. Nada impede que aconteça uma quarta vez.’’
O acampamento fica a cerca de quatro quilômetros da sede da fazenda, onde estão instalados aproximadamente 50 policiais militares, encarregados de vigiar o acesso e a saída do local. ‘‘A polícia fez disso um campo de concentração. Não podemos sair e até helicópteros ficam nos vigiando’’, disse ‘‘Zé do Facão’’.

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