Juiz dá prazo até 1º de outubro para sem-terra deixarem fazenda em Piracicaba
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sexta-feira, 20 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Piracicaba, SP, 21 (AE) - O juiz diretor do Fórum de Piracicaba, Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, deu mais 12 dias de prazo para que as 1,2 mil famílias de sem-terra deixem a Fazenda Maria ¶ngela, no Bairro Pau DAlho, zona rural do município, invadida no último dia 05. O prazo, que vence dia 1º. de outubro, possibilitará que seja encontrada uma área para abrigar as famílias, segundo o juiz. A liminar de despejo foi dada pelo juiz Joel Valente, da 6ª. Vara Cível, um dia depois da invasão, mas os sem-terra conseguiram um adiamento inicial de sete dias na sua execução.
A concessão do novo prazo, anunciada sexta-feira à noite
fez com que a Polícia Militar suspendesse a operação de despejo
programada para a manhã de hoje. O juiz atendeu a uma petição formulada pelo coordenador estadual do Movimento dos Trabalhdores Rurais Sem-Terra (MST), Gilmar Mauro. O pedido foi reforçado por fax pelo ouvidor agrário nacional, Gersino José da Silva Filho. No Acampamento Nova Canudos, no quilômetro 170 da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147), os sem-terra estavam à espera do quinto despejo. "Tinha deixado as coisas no jeito para carregar", contou o sem-terra Valdevino Queiroz, de 38 anos.
O adiamento foi anunciado à noite, em assembléia, pelo coordenador. Hoje, Queiroz retomava a rotina, pescando no córrego que corta a fazenda. A água é usada para lavar roupas e louças, tarefa desempenhada pelas meninas Natalia Nascimento, de 8 anos, e Eliane da Silva, de 6. Para beber, acampados dispõe da água de várias minas existentes no lugar. "É pura água mineral", garantiu Sebastião Dias, de 59 anos. A sem-terra Josefa Vitorino, conhecida como "Zélia", aliviada com o adiamento, distribuía os bolinhos "Nova Canudos", feitos com farinha, ovos e sobras de arroz, para tomar com café.
Segundo Mauro, o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) assumiu o compromisso de encontrar uma área para assentamento provisório na região. Para isso dois técnicos do órgão estarão em Piracicaba segnda-feira. O líder contou que o Incra propôs a transferência das família para Presidente Epitácio, mas a proposta foi recusada pois já há sem-terra esperando assentamento naquela região. Segundo ele, se o terreno for encontrado logo, os sem-terra saem da fazenda antes do prazo.
O dono da Maria ¶ngela, Joseph Moutran, disse que espera uma solução o mais rápido possível. "Apesar dos prejuízos que estamos tendo, também queremos uma solução pacífica para a saída dos sem-terra da fazenda", afirmou.


