São Paulo - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) José Rai© nha Júnior foi condenado ontem a 2 anos e 8 meses de detenção, em regime fechado, por porte ilegal de arma. Em abril do ano passado, ele foi detido pela Polícia Militar com uma espingarda calibre 12, de uso restrito, e munição. A condenação complica ainda mais a situação do líder, que não é réu primário e está preso desde o dia 11, por acusações em outros processos.
Na sentença, o juiz Atis de Araújo Oliveira, do Fórum de Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, nega a Rai© nha o direito de apelar em liberdade, alegando que o líder ''já demonstrou capacidade de permanecer foragido''. E explica que aplicou pena acima do mínimo legal por causa dos ''inúmeros envolvimentos criminais'' do acusado.
Rainha foi parado no dia 25 de abril, durante uma operação de rotina da polícia na rodovia que liga a cidade de Euclides da Cunha à SP-613, no Pontal. Ele viajava em um automóvel conduzido por outro sem-terra, José Luiz da Silva Júnior. O líder ficou preso de 25 de abril a 18 de maio de 2002, quando conseguiu um habeas-corpus.
Em depoimento à polícia, Rainha disse ser o proprietário da arma, mas voltou atrás perante a Justiça. Na sentença proferida hoje o juiz conclui que essa alegação ''mais do que falsa, é ardilosa''.
Com mais um mandato de prisão, o líder sem-terra, que organizava no Pontal um acampamento com 4 mil pessoas, fica em situação difícil. Ele está detido preventivamente desde o dia 11, em Presidente Venceslau, acusado de praticar furtos durante ocupações de terra e de formação de quadrilha.
A Justiça já havia negado em caráter liminar um pedido de habeas-corpus. Os advogados do MST vão recorrer da sentença.

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