Juiz começa a ouvir as vítimas do médico Silas de Mello Bruder
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sexta-feira, 22 de março de 2002
Lucinéia Parra Equipe da Folha 
Maringá - O juiz da 1ª Vara Criminal de Maringá começou ontem a ouvir as vítimas do médico pediatra Silas de Mello Bruder, 51, preso no final de janeiro, acusado de rapto, atentado violento ao pudor e atos obscenos. Vinte pessoas, entre vítimas e testemunhas, devem prestar depoimento até a próxima quarta-feira. Os depoimentos vão servir de subsídio a um perito nomeado pelo juiz para avaliar as condições mentais do médico.
De acordo com o juiz Joaquim Pereira da Costa, o prazo para ouvir as testemunhas arroladas no processo ainda é de 81 dias, mas os depoimentos tiveram início ontem em função da alegação da defesa de o médico apresenta insanidade mental. Costa disse que já designou um perito para avaliar as condições mentais de Bruder. O perito deve fazer esta avaliação só depois dos depoimentos das testemunhas, já que as informações deverão servir de subsídios a ele, justificou Costa.
Bruder foi preso no dia 26 de janeiro, quando estava com duas meninas, uma com 11 anos e outra com 12 anos de idade, no carro dele. A polícia começou a investigar a vida do médico a partir de uma denúncia da mãe de um menino portador de deficiência mental, de 16 anos. O garoto afirmou à mãe que era abordado pelo médico e que praticava sexo com ele. Ainda segundo o menino, Bruder pagava R$ 10,00 a cada encontro. Outras meninas com idade inferior a 15 anos também prestaram depoimentos e foram arroladas no inquérito policial como vítimas. A maioria delas afirma que o médico era visto constantemente no bairro Santa Felicidade - um dos bairros mais pobres de Maringá. Na maioria das vezes ele abordava crianças para dar volta de carro. Desde o início de março, Bruder foi transferido para o Sanatório de Maringá. O advogado de defesa dele, Israel Moura Batista, alegou que o pediatra tem problemas mentais.


