Salto, SP, 21 (AE) - Foram cassados pelo juiz da 3.a Vara Cível de Salto, a 98 quilômetros de São Paulo, Caramuru Afonso Francisco, os mandatos de 9 dos 17 vereadores da Câmara da cidade, acusados de uso indevido de verbas públicas.
Os vereadores foram surpreendidos com a perda dos mandatos em plena sessão da Câmara, na noite de ontem (20). Um grupo de quatro oficiais de Justiça foi ao Legislativo para intimar dos acusados. Os nove vereadores, entre eles, o presidente da Casa, Geraldo Pedro Caprioli (PSDB), que dirigia os trabalhos, tiveram de deixar o plenário. O vice-presidente ¶ngelo Domingos Nucci (PSDB), que não estava na relação dos afastados, assumiu a presidência apenas para encerrar a sessão por falta de quórum. O episódio não tem precedentes na história política da região. O juiz concedeu liminar em ação civil pública movida pelo promotor Marcelo Moriscot, com base em denúncia do vereador Eliano Apolinário de Paula (PSDB), inconformado com as viagens dos colegas para participar de congressos. As comitivas seguiam, quase sempre, para cidades turísticas do Nordeste, como Porto Seguro (BA), Fortaleza e Recife.
O vereador requereu à Mesa Diretora da Câmara informações sobre as despesas com essas viagens nos últimos três anos e encaminhou os documentos ao Ministério Público (MP). O juiz considerou os gastos desnecessários e excessivos. Ele entendeu que não havia justificável interesse público para a realização das despesas. O presidente da Câmara, além da perda do cargo, foi condenado a devolver R$ 366 mil aos cofres municipais. Ele não participou das viagens, mas autorizou as despesas.
Pela mesma razão, foi condenado o vereador Djalma Moreira Néri (PDT), que exerceu a presidência de 1998 a 1999 e também não fez viagens. Os vereadores José Carlos Silvestre (PDT), Rosano César Andrietta (PSDB), José Lopes Barbosa (PDT), Pedro Lucas de Araújo (PDT), Ernani Soares Marques de Souza (PSL), Laerte Moja (PMDB) e Célia de Oliveira Pinto Coa (PT) e o ex-servidor Delermo Bertame, que também viajou, foram condenados à devolução de valores entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. Os vereadores cassados contrataram hoje um advogado para tentar revogar a liminar. Caso não consigam que a decisão seja revista até sexta-feira (24), os suplentes assumem os cargos.

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