Londrina - O juiz da Vara de Execuções Penais, Katsujo Nakadomari, autorizou o detento Elenter Alves da Silva Junior, de 37 anos, a frequentar as aulas do curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele foi um dos cinco detentos aprovados no vestibular deste ano da instituição. Segundo Nakadomari, Silva Junior já estava em regime semiaberto. "Eu decidi que ele está apto a frequentar as aulas já a partir de segunda-feira", destaca.
Segundo o juiz, a decisão sobre outro detento que passou no mesmo curso deverá ser mais rigorosa devido à natureza do crime cometido.
Existem outros três pedidos, de pessoas que passaram nos cursos de Direito, Matemática e Serviço Social, e ele deve decidir na terça ou na quarta-feira, depois que fizer uma oitiva com eles. "Essa entrevista é importante para verificar se não há risco de reincidência. É bom ressaltar que esses três já passaram pelo crivo de um psiquiatra e o comportamento carcerário deles foi favorável", frisa Nakadomari.
No Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), onde Silva Junior cumpre a pena, o diretor Reginaldo Peixoto expõe que ele já cumpriu 14 anos de prisão e que nunca apresentou problema de disciplina. "Ele trabalha aqui e faz outros cursos. Já entramos em contato com a família para comunicar sobre sua aprovação e estamos na expectativa de que ele não volte a ser preso e ganhe uma nova profissão", torce.
Silva Junior está ansioso e, ao mesmo tempo, animado para começar a estudar. "Quero conhecer outro universo, diferente desse em que estive por 14 anos", pondera. Ele destaca que quer agarrar essa nova oportunidade e se tornar um orgulho para o seu filho. "Já tenho 37 anos e sei que tenho que aproveitar esta oportunidade. Saio de cabeça erguida e direto para a faculdade", pondera.
Ele destaca que desde que estava preso na Penitenciária Estadual de Londrina 2 (PEL 2) estudou em um cursinho com professores da UEL. Foram três meses de aula e, depois que foi transferido para o Creslon, levou as apostilas e continuou seus estudos por conta própria. "Quando fiz o vestibular, uma das minhas vantagens é que permaneci calmo e os outros estudantes estavam todos ansiosos", compara.
A pedagoga do Creslon, Denise Peixoto de Souza, foi a responsável pela inscrição de Silva Junior no vestibular. Ela disse uma frase a Silva Junior que ressoou durante todo esse processo: "Como você quer ser conhecido?", acrescentando que não se pode mudar o passado das pessoas, mas o que é feito daqui para a frente é possível alterar.

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