Uma decisão tomada na última terça-feira na comarca judiciária de Arapoti, município de 27 mil habitantes localizado no extremo norte dos Campos Gerais, pode criar jurisprudência que beneficia médicos cubanos que trabalham no País por meio do programa Mais Médicos, do governo federal. Depois de nove meses de espera, Adrian Estrada Barber, de 28 anos, conseguiu autorização da justiça brasileira para se casar. Ele e a noiva, a farmacêutica de Arapoti Letícia Pedroso, de 42 anos, comemoram a decisão.
A demora se deu porque o contrato que os médicos assinam com o governo cubano obriga os profissionais que desejam se casar a comunicar as autoridades cubanas previamente. Se as cláusulas do contrato não forem obedecidas, os médicos podem receber multa ou ter que retornar a Cuba. Na tarde de ontem, Letícia conversou com a reportagem e disse que o marido tem evitado falar com a imprensa por receio de represálias do governo cubano.
Durante os nove meses, o processo percorreu um longo caminho. O primeiro passo foi na comarca de Arapoti. O juiz da época, no entanto, entendeu que o contrato impedia a união e enviou processo à Justiça Federal que, por sua vez, encaminhou para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) por se tratar de um documento internacional. Depois de cinco meses, o STJ analisou o caso e determinou que a decisão caberia à primeira instância pelo fato de o acordo não ser firmado no Brasil. Nesta semana, o juiz Dawber Gontijo Santos, enfim, autorizou o casamento.
Letícia disse que o casal está confiantes de "que tudo vai dar certo". "Não estamos fazendo nada de errado. Só queremos viver juntos", afirmou. O casamento está marcado para julho. "Temos três semanas para preparar tudo, pois não sabíamos ao certo quando sairia a decisão", comentou. Ela relembrou o início do namoro, há pouco mais de um ano, e planeja o futuro. "Nossa intenção é permanecer aqui por mais um tempo, mas o que importa é estarmos juntos, não importa onde", disse Letícia.

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