BRASÍLIA - O juiz federal Novély Vilanova Reis, pai de Antônio Novély, um dos cinco estudantes que queimaram vivo o índio Galdino Jesus da Silva, disse ontem que não vai interferir em favor do filho. ‘‘O fato de um dos acusados ser filho de um juiz não é um atenuante, e a Justiça será feita’’, disse Vilanova. Abatido, o juiz nega-se a falar sobre sua vida pessoal e sobre o filho, que se encontra recolhido na Penitenciária da Papuda. ‘‘Quero que meu filho seja julgado e tenha defesa’’.
Há oito anos, Novély Vilanova Reis ganhou notoriedade ao dar ganho de causa a uma ação judicial em favor do aumento da terra dos índios ianomamis, em Roraima. ‘‘Por ironia, eu decidi uma causa em favor dos índios, e anos depois meu filho se envolve em um crime contra um índio’’, lamentou Vilanova, que não esconde o nervosismo ao tapar frequentemente o rosto com as mãos. Mesmo assim, o juiz trabalhou normalmente na 7ª Vara Federal de Brasília, dois dias após a morte de Galdino.
Novély Vilanova Reis parece não se conformar com o envolvimento do filho na morte de Galdino. ‘‘Como um pai recebe uma notícia dessas?’’, pergunta. ‘‘Como um pai, que educa seu filho nos melhores colégios da cidade, que lhe dá a melhor educação, recebe uma notícia dessas?’’, insiste. ‘‘Não sou culpado por causa disso, não tenho explicações para isso’’.

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