Araçatuba, SP, 20 (AE) - O juiz Vicente Benedito Batagello, acusado de favorecer bancos em ações movidas por clientes que se consideram lesados em Araçatuba, no interior de São Paulo, é dono de uma casa avaliada em R$ 400 mil, mas que, na escritura, está registrada por R$ 96 mil.
A residência ocupa quatro lotes do Jardim Nova York, o mais caro da cidade, com área total de mil metros quadrados. A construção é um sobrado que tem 499,77 metros quadrados, incluindo quiosque e piscina.
Nenhuma empresa imobiliária local considera que uma casa nesse padrão valha menos que R$ 500 mil, incluindo a condição de estar totalmente quitada e desalienada.
No livro número 2 do Cartório de Registro de Imóveis de Araçatuba, sob matrícula número 48.862, há informação de que, em 12 de janeiro de 1998, Batagello declarou a construção no valor de R$ 96.065,78. O magistrado disse que a avaliação apresentada não foi a dele, mas da prefeitura, que, costumeiramente, usa indicadores mínimos de preços para efetuar os lançamentos de impostos. "Se cometi algum erro, não sou perfeito, estou pronto para o corrigir", disse.
Mas, para o advogado Jonair Nogueira Martins, que representou a empresa Kawata e Cia em ação na qual acusa Batagello de favorecer uma instituição bancária da cidade, "há uma opulência exteriorizada" na situação patrimonial e econômica do juiz, que ganha, no máximo, R$ 8 mil por mês, incluindo adicional pela condição de ser administrador do Fórum de Araçatuba.
O juiz ainda é dono de três imóveis em Bilac, próxima a Araçatuba, com valores venais que somam cerca de R$ 27 mil.
Entre os veículos que possui, está uma caminhonete importada Nissan Pathfinder, e as propriedades dele são em parceria com a mulher, Lucilene Ziroldo Antônio Batagello, que também é funcionária do Fórum de Araçatuba.
Recentemente, Batagello, que é juiz há 15 anos, decidiu aprender a pilotar avião. Matriculou-se no Aeroclube de Birigui (SP) e logo se interessou em ter um avião. Há um ano, a polícia de Araçatuba apreendeu um monomotor usado em tráfico de drogas, mas, até hoje, segundo o delegado Jaime José da Silva, ninguém se apresentou como proprietário do aparelho porque teme responder pelo processo penal. Batagello pediu ao proprietário da oficina na qual o monomotor ficou um orçamento para saber quanto custava repor o avião em funcionamento. O delegado se disse satisfeito que alguém tenha demonstrado interesse pelo avião. "Há um patrimônio do Estado que se deteriora a cada dia por falta de uso", disse o delegado. Mas, embora confirme os fatos, Batagello preferiu não oficializar o desejo de ser o fiel depositário do aparelho até agora.

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