Juiz acata denúncia contra PMs acusados de tortura
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de junho de 2001
Alexandre Palmar De Foz do Iguaçu 
O juiz da 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu, Eduardo Sarrão, acatou ontem a denúncia contra dois policiais militares acusados de torturar dois atravessadores de cigarros contrabandeados do Paraguai em 24 de março deste ano. A ação penal pode resultar em condenação em até 10 anos de prisão, conforme recomendação feita pelo promotor de Justiça Sidney Mainardes Júnior.
O primeiro interrogatório dos soldados José Carlos de Oliveira, 33 anos, e Wilson Martins, 35 anos, está programado para 8 de agosto, às 9 horas, no Fórum de Foz do Iguaçu. Em entrevistas anteriores à imprensa, José Carlos e Wilson Martins negaram a autoria do crime (imprescritível e inafiançável).
Os PMs são acusados de torturar os cigarreiros Carlos Odair Maia, 27, e Marcos Silva Cesário, 23, na região da Ponte da Amizade. Depois de presos, os atravessadores denunciaram a agressão à Polícia Federal. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou equimose (mancha) coxa esquerda e eritrema (esfolação da pele) na região dos testículos de Carlos Maia. Já em seu colega foi constatada equimose de três centímetros na coxa esquerda.
Os policiais chegaram a ser presos pelo delegado da Polícia Federal Jessé Ferry, que colheu os depoimentos dos cigarreiros, mas tiveram a prisão relaxada após dez dias de detenção. Atualmente, os dois estão suspensos do trabalho sob ordem do comando do 14º Batalhão da Polícia Militar. O episódio chegou à Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, em Brasília, e ao Comitê contra a Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU).


