Curitiba - O juiz da 4 Vara da Fazenda Pública, Jefferson Alberto Johnsson, manteve o contrato entre o Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar) e a Larami Diversões e Entretenimentos, empresa que explora a instalação de caça-níqueis no Paraná. O advogado Carlos Abrão Celli, que questiona o contrato na Justiça, pretende entrar nos próximos dias com um recurso contra a decisão. De acordo com Celli, a Larami não estaria respeitando o contrato, pagando aos apostadores prêmios menores do que o estipulado no documento.
Pelo contrato, as máquinas de caça-níqueis devem retornar de 90% a 95% dos valores depositados nela em prêmios. Tanto o presidente do Serlopar, Eliseu Auth, como o gerente da Larami, Luiz Carlos Ramires, sustentam que o valor médio das premiações é de 94,42%. Celli afirma que o indíce nos dois primeiros meses do ano foi de 74,38%. ''Meus dados são baseados em uma auditoria feita por uma empresa escolhida pelo próprio governo. O que acontece é que eles estão maquiando os indíces de premiação, contabilizando não só apenas o dinheiro que entra nas máquinas, mas também os créditos que a máquina dá momentaneamente ao usuário'', explicou Celli.
Em nota divulgada no último sabado, a Larami se defende e explica que todos os valores arrecadados nos terminais, cerca de R$ 1,1 milhão, são integralmente repassados para a Serlopar. A empresa do governo faz o repasse que cabe à Larami e aos fornecedores, evitando, com isso, ''qualquer sonegação ou desvio de recurso público''.
Diz ainda a nota que a Larami coloca suas contas ao crivo de quaisquer auditorias que possam ser promovidas pelo governo. A empresa insiste que o sistema adotado permite controle e transparência nas transações.
O advogado afirma que o próprio Serlopar reconhece que existem irregularidades em algumas autorizações cedidas pelo órgão para a exploração das máquinas. ''Em um documento enviado pelo presidente do Serlopar (Eliseu Auth) ao chefe da Casa Civil (Caíto Quintana), é citado que algumas empresas não cumprem as resoluções'', explicou Celli.
A Folha teve acesso ao documento enviado por Auth para Quintana. No documento, o presidente do Serlopar analisa as melhores maneiras de extinguir os contratos com as casas de bingo.

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