BRASÍLIA - Na véspera da grande manifestação da marcha dos sem-terra em Brasília, o governo voltou ontem a anunciar medidas na área de reforma agrária. O Banco do Brasil destinará até setembro, para o assentamento de 17 mil famílias, o total de 138 imóveis rurais, com quase 600 mil hectares. O ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, anunciou a compra e desapropriação de quatro fazendas do Complexo Macaxeira, no sul do Pará, próximo ao local onde ocorreu o massacre de 19 sem-terra em 17 de abril do ano passado.
‘‘Não é só a pressão dos sem-terra’’, afirmou Jungmann, negando a coincidência entre a chegada da marcha e os anúncios de ações pelo governo nos últimos dias. ‘‘O governo já vinha fazendo e deve dizer à sociedade o que está fazendo.’’ Para o líder do MST, José Rainha Júnior, ‘‘o ministro está desesperado, tentando mostrar serviço’’. Rainha disse que há um ano o MST vinha reivindicando as terras do Banco do Brasil. Rainha lembrou que existem 50 mil acampados e que é preciso a adoção de ações a curto prazo. O líder do MST confirmou que estará presente na audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, sexta-feira, às 17 horas.
Bomba Uma grande movimentação tomou conta do prédio do Incra em Brasília. Era uma denúncia de bomba em um dos andares do prédio. Todos tiveram de sair, mas o ministro Jungmann permaneceu impassível, concedendo entrevistas. ‘‘Essa é a bomba das quatro horas’’, brincou. ‘‘Já perdi a conta das ameaças e deixei de levar a sério.’’

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