JERUSALÉM (AE-AP) - Israel insiste em afirmar que os palestinos são culpados pela não reabilitação do decrépito sistema de distribuição de água na margem oeste do Rio Jordão e em Gaza, o que levou a grandes perdas por vazamento. Já os palestinos afirmam que estão fazendo o que podem para conter os efeitos de três décadas de negligência, marca da ocupação israelense.
Israel também acusa os palestinos de impedir a realização de novos projetos que beneficiariam várias cidades e vilas palestinas porque seriam úteis também aos assentamentos de judeus."Trata-se de um problema humanitário", afirma Peter Lerner, porta-voz da administração civil israelense na margem oeste. "Mas com certeza os palestinos não se empenharam em resolver o problema". Os palestinos irritam-se com o que consideram um excesso de consumo dos israelenses.
O encarregado israelita para os problemas relacionados à água
Meir Ben Meir, enfureceu os palestinos ao afirmar, no ano passado, que seu estilo de vida requer menos água do que o dos israelenses. Ele reconhece que nenhum racionamento está previsto para as cidades israelenses, mas diz que a distribuição para a agricultura foi cortada em 40%. "Nós também estamos sentindo os efeitos", afirma.
A água torna-se uma questão crucial também porque Barak pretende reabrir as negociações com a Síria, interrompidas há três anos. O centro da disputa são as Cataratas de Golã, a principal fonte de água para o Rio Jordão e áreas adjacentes do mar da Galiléia, o lago que abastece Israel com um terço de sua água potável.
Partidários do novo primeiro-ministro dizem que manter o controle israelense sobre estas fontes de água pode ser uma "linha vermelha", nas negociações sobre Golã.
Mas Shuval, um especialista da Universidade Hebraica, acredita que o problema pode ser resolvido com negociações.
Para ele, a Síria não irá forçar o ganho do controle das águas do Rio Jordão porque seria muito caro, além de impraticável, o bombeamento até áreas elevadas, onde encontram-se as áreas produtivas do país. Ele também lembra que o valor da água em questão é de aproximadamente US$ 10 milhões por ano. "Trata-se de uma quantia pela qual deve-se entrar em acordo, não em guerra".

mockup