Londres - Quando faltam apenas quatro meses e meio para o jubileu da rainha Elizabeth II, o palácio de Buckingham começa a se preocupar: os britânicos não manifestam muito entusiasmo por essas celebrações que, se forem um fiasco, reavivariam o debate sobre o futuro da monarquia.
O Times foi o primeiro a dar o sinal de alarme: o jornal, do qual não se pode suspeitar de antimonárquico, fez sua própria pesquisa sobre os preparativos para as festividades não-oficiais organizadas pelos britânicos em seus bairros, e por isso mesmo verdadeiros termômetros do entusiasmo popular.
As conclusões são desalentadoras. Inclusive redutos monárquicos como Windsor e os bairros londrinos de Chelsea e Kensington não têm nada previsto, e somente algumas comunidades de irredutíveis já começaram a organizar a festa do bairro.
A comparação com a celebração dos 25 anos de reinado de Elizabeth II, em 1977, é significativa. Na época foram organizadas mais de 12.000 festas populares no país. Por outro lado, desta vez, quando faltam quatro meses e meio para que se cumpram os 50 anos de reinado, foram feitos poucos pedidos de autorização, e isso quando o palácio de Buckingham, em sua página na internet, aconselha começar os preparativos com nove meses de antecedência.
Segundo o Times, a burocracia administrativa e os altos gastos de seguro dissipam o entusiasmo dos potenciais organizadores de festejos.
Mas uma pesquisa feita pelo instituto Opinion Leader Research dá uma explicação mais preocupante: a indiferença dos britânicos.
Exemplo disso, somente 5% dos pesquisados pensam que o jubileu da rainha é um acontecimento positivo para o país, quando cinco vezes mais, 26% deles, consideram como tal uma vitória da equipe inglesa no mundial de futebol da Coréia do Sul e Japão.
Além disso, a primeira partida da seleção inglesa será no dia 2 de junho, ou seja, em plena celebração do jubileu, prevista para entre os dias primeiro e quatro de junho, mesmo que o 50 aniversário da coroação de Elizabeth II tenha sido na realidade no dia 6 de fevereiro.
‘‘Há um grande nervosismo em relação à atitude das pessoas, em comparação com as extraordinárias festividades de 1977’’, declarou ao Times um próximo ao palácio. ‘‘São realizadas reuniões sem fim para se encontrar um meio de entusiasmar os súditos.’’
O jornal The Sun considerou inclusive que é preciso fazer ‘‘uma campanha para salvar o jubileu’’.
A família real conta também com este jubileu para fazer voltar a brilhar os seus brasões, embaçados por um quarto de século de sucessivos escândalos e divórcios.
Se a celebração for um fiasco levaria, ao contrário, lenha à fogueira dos antimonárquicos e defensores da criação da república.
‘‘Não acredito que um fracasso fosse fatal para a monarquia, mas sem dúvida aumentaria a pressão para uma reavaliação’’ do papel da instituição, comentou Rodney Barker, professor de política da London School of Economics.

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