Jovens trocam escola pelo trabalho
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que os jovens estão trocando os estudos pelo trabalho. No País, o percentual de jovens de 15 a 17 anos que frequentavam a escola caiu de 85,2% em 2009 para 83,7% em 2011. Os jovens também citaram a péssima qualidade do ensino médio como fator de desinteresse pela escolarização.
Um desses jovens é Gustavo Henrique Pereira dos Santos, de Ibiporã (Norte). Ele abandonou os estudos no segundo semestre de 2011, então com 17 anos e cursando o 1º ano do ensino médio, passando a se dedicar exclusivamente ao trabalho. ''Aos 16 comecei a querer algumas coisas que meus pais não davam, então passei a trabalhar. Primeiro como chaveiro e depois de empacotador de mercado. Até que ano passado recebi uma oferta para trabalhar em uma empresa especializada em adesivagem. Além do salário com carteira assinada, houve a garantia de horas extras'', explicou.
Ele recebe cerca de R$ 1 mil por mês. Em dois anos de trabalho, adquiriu uma moto de aproximadamente R$ 5 mil, além de aparelhos eletrônicos, roupas e calçados. ''Meus pais falam todos os dias para eu voltar a estudar, mas não adianta. E o emprego que estou não exige escolaridade. Talvez daqui uns dois anos eu faça um curso profissionalizante'', definiu.
O Pnad também apontou que entre as crianças de 6 a 14 anos, a taxa de escolarização teve um aumento de 0,6 ponto porcentual, passando de 97,6% para 98,2% de 2009 a 2011. O estudo do IBGE mostra ainda a influência da questão do rendimento domiciliar na frequência escolar, principalmente entre crianças de 4 ou 5 anos de idade: quanto maior a renda, maior a chance de ir para a escola.
No entanto, a rede pública de ensino foi responsável pelo atendimento a 87% dos estudantes do nível fundamental, 86,4% do nível médio e 23,3% do nível superior. Em 2011, o percentual foi o mesmo no ensino fundamental, oscilou para 87,2% no nível médio e subiu para 26,8% no ensino superior.
O IBGE também aponta queda considerada do percentual daqueles que possuíam nível fundamental incompleto ou equivalente na comparação entre 2009 e 2011, de 36,9% para 31,5%.
Em 2011, a população de 10 anos ou mais de idade tinha, em média, 7,3 anos de estudo. As mulheres, de modo geral, são mais escolarizadas que os homens, com média de 7,5 anos de estudo, enquanto eles têm 7,1 anos de estudo.
O fato lamentável é que o País ainda tem 12,9 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais de idade. Esse contingente está concentrado no Nordeste, especialmente na população com 50 anos ou mais. No Paraná, de acordo com o estudo, 7% da população é analfabeta.
O Pnad também apresentou pesquisas sobre os rendimentos das famílias e mercado de trabalho.(Com Agência Estado)
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