Curitiba- Histórias de sobra para contar, um documentário para editar e dois livros para organizar, sendo um fotográfico, são os frutos da viagem pelas três Américas realizada por quatro jovens curitibanos. A ''aventura'' durou seis meses e sete dias, percorreu 14 países e cerca de 25 mil quilômetros, iniciando nos Estados Unidos rumo ao Brasil. O objetivo era levantar a atual situação dos principais grupos de esquerda destas nações, fazendo o registro documental e audiovisual.
O quarteto formado pelos estudantes Milena Costa de Souza, 25 anos, Pedro José Sorroche Vieira, 23 anos, Thiago Costa de Souza, 23 anos e Lígia Cavagnari, 19 anos, levou adiante a expedição Latinautas - Da América para as Américas, que partiu de Norwich, Connecticut (EUA), em setembro de 2006. De carro, os Latinautas seguiram viagem pela Pan-americana, considerada a maior estrada do mundo, e fizeram a primeira parada no México. Lá foram testemunhas da Marcha de Oaxaca formada por uma multidão de índios, que caminharam, por duas semanas, até a Cidade do México.
''O que conhecemos é a visão européia da História e queríamos fazer o nosso registro da realidade desses países. Muitos deles nos deixou a sensação de viverem uma guerra civil ou pós-guerra'', contou Milena. Ela trabalhou junto com o namorado, Pedro, por 10 meses, nos EUA, para levantar 9 mil dólares que custearam a viagem. ''Chegou a ser assombroso acompanhar a Marcha de Oaxaca, aquela multidão reivindicando a liberdade, seus direitos enquanto índios. Eles invadiram o Palácio do Governo e libertaram os detentos do presídio'', relatou Milena, resposável pela elaboração das entrevistas e redação de textos.
Ao longo da expedição, relatos da viagem e entrevistas foram divulgados no site ''Carta Maior'' - que, hoje, está extinto - e o diário do grupo foi atualizado, de cidade em cidade, no blog www.latinautas.com.br. Em Cuba, o grupo passou pelo ''susto'' de ser chamado para prestar depoimento na polícia e de ser deportado. ''Acho que a culpa foi nossa. Não sabíamos que era proibido que cubanos hospedassem estrangeiros em casa, mesmo que fossem amigos. Então a vizinha desse casal que nos recebeu, nos delatou a polícia'', defendeu Pedro, que fez a captação de imagens e registros fotográficos.

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