Campinas, SP, 06 (AE) - Os 1. 200 jovens com idade entre 15 e 25 anos que participam do curso "Realidade Brasileira", promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tiveram hoje aulas sobre cultura. O tema "A Cultura Transformadora" foi apresentado pelo antropólogo Gilberto Vasconcelos, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e o escritor Alcione Araujo falou sobre "A Cultura de Massa Hoje".
Falando sobre a terra, Vasconcelos destacou o desenvolvimento de novas formas de energia, como o álcool, obtido a partir da cana-de-açúcar. "Os países ricos não querem que o Brasil desenvolva esse tipo de energia, porque sabem que é estratégica", disse. Em seguida afirmou "precisamos tomar as terras, senão os países ricos tomam conta de tudo e nos obrigarão a trabalhar para eles".
Araújo foi menos contundente. "Não sei bem como vou interagir com esses jovens do meio rural, já que minha formação é totalmente urbana", disse pouco antes de sua palestra. Ele apresentou à platéia um panorama antropológico sobre o desenvolvimento da cultura entre os povos. Muitos jovens tiveram dificuldade para acompanhar o raciocínio.
Um dos organizadores do encontro, Adelar João Pizetta, voltou a negar hoje que o curso seja de formação de novos líderes. "Esses adolescentes já desempenham papel de liderança em suas comunidades", afirmou. O encontro, segundo ele, pretende oferecer aos participantes a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre a realidade brasileira.
Os jovens ligados ao MST estão alojados no Ginásio de Esportes da Unicamp desde sexta-feira (02). Eles passam a noite em colchonetes nas arquibancadas do ginásio. Divididos em turmas
cuidam da limpeza, organização e lazer. O espaço foi cedido pela reitoria da universidade, como parte do convênio firmado com o MST para o evento.
A Unicamp também está servindo café da manhã, almoço e jantar aos participantes. As despesas com alimentação, segundo o pró-reitor de Desenvolvimento, Luís Carlos Guedes Pinto, serão pagas pelo MST ao final do encontro. As refeições são feitas nos refeitórios, junto com os estudantes da universidade, que pagam R$ 1,50 pela comida. Hoje foi servido arroz, feijão, carne cozida, mandioca e salada de repolho.
O MST também está recebendo apoio da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp). A entidade, que não tem vínculo com a universidade, pagou o material didático usado pelos participantes. O Sindicato dos Funcionários da Unicamp (SFU) cedeu a aparelhagem de som usada durante as aulas.E os convidados não estão cobrando pelas palestras.
O pró-reitor disse que a universidade concordou em ceder o ginásio porque o encontro acontece durante as férias, quando o local não é usado pelos estudantes. Guedes Pinto informou, por intermédio de sua assessoria, que esta é uma forma de democratizar a universidade.

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