Jovens reclamam de sono e dores
A recreacionista de uma escola infantil Luciana Cristina de Lima, 18 anos, trabalha das 8 às 18 horas e à noite, das 19 às 22h30, cursa o 1º ano do ensino médio na Escola Estadual Carlos Maximiliano Pereira dos Santos, na Vila Madalena. ''Como trabalho quase o tempo todo em pé, sinto muitas dores no corpo'', queixa-se. ''Principalmente nas costas e nos joelhos. Sem falar no sono. Quando chega o meio-dia estou caindo que não me aguento.''
A funcionária de um escritório de advocacia Edna Vítor, também de 18 anos, e estudante do 1º ano do ensino médio no mesmo colégio de Luciana, é outra jovem trabalhadora que reclama de sono. ''Tem dias na aula que quase não dá para aguentar'', reclama. ''Eu cochilo e às vezes perco parte do que o professor está passando. Depois tenho de estudar mais em casa para recuperar. É muito difícil essa nossa vida.''
Luciana e Edna, embora reclamem com razão, têm pelo menos os fins de semana para descansar e se divertir. Mas há aqueles que nem desse tempo dispõem. ''Dos estudantes que trabalham, 15% o fazem sete dias por semana'', conta o psicólogo Márcio Lombardi Júnior, que também participou da equipe de pesquisa. ''Outros 28% trabalham seis dias por semana.''
Entre os primeiros, um exemplo é Adeharly Nascimento Silva, de 17 anos, que cursa o 2º ano do ensino médio, também na EE Carlos Maximiliano. Durante a semana ele trabalha num supermercado e às sextas-feiras à noite e no sábado e domingo entrega pizzas. ''Não sobra tempo para quase nada'', diz. ''Mas é o único jeito. É preciso driblar o sono e cansaço o tempo todo.''





