Jovens querem garantir futuro profissional
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de abril de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Alienação é atributo que não se aplica mais à juventude. Boa parcela dos jovens, na faixa etária dos 15 aos 24 anos, está interessada em estudar e garantir seu futuro profissional. É o que mostra a pesquisa Perfil da Juventude Brasileira, divulgada ontem pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Conforme o estudo, 38% dos entrevistados colocam a educação como principal interesse. O trabalho, com 37% das respostas, vem em segundo lugar. O percentual entre os jovens do Sul em relação à educação é um pouco menor (32%), mas nos demais itens não se distancia muito da média nacional.
Entre os problemas que mais os preocupam os jovens brasileiros, a violência, principalmente assassinato e assalto lidera o ranking com 55% das respostas. O índice é um pouco maior na região Sudeste do País. No mesmo grau de importância vem o desemprego e o receio quanto ao futuro profissional (52%), o que no Sul ficou abaixo da média (42%), seguido por drogas (24%) e educação (17%).
Para o sociólogo e coordenador da pesquisa, Gustavo Venturi, a menor preocupação com o desemprego no Sul pode ser associada a dois fatores: ao melhor nível de emprego, pelo menos, o formal, e à melhor escolaridade se comparada, por exemplo, com o Nordeste onde a população jovem é menos escolarizada.
A pesquisa revela, ainda, que 40% dos jovens estão desocupados e 64% dos que trabalham encontram-se na informalidade. Dos jovens que estão no mercado de trabalho, de acordo com o levantamento, 37% deles são assalariados e sem registro. Outros 16% fazem bico ou serviço free lancer e 9% trabalham na agricultura familiar ou são assalariados no campo e mais 2% são auxiliares de família sem remuneração fixa.
Para a maioria, o trabalho está ligado à necessidade (64%) e independência (55%), seguido de crescimento (47%). Apenas 30% deles pensam em trabalhar como forma de auto-realização. O estudo também mostra que 36% dos jovens estão trabalhando, enquanto 32% já trabalharam, mas estão desempregados. Fazendo um levantamento entre os que trabalham ou já trabalharam, constata-se que a maior parte (36%) está fora do mercado há mais de um ano, contra 26% que estão sem trabalhar por um período entre seis meses e um ano, e 15% que estão sem ocupação num tempo entre três a seis meses.
Tendo como base os jovens que têm um empreendimento, 57% preferem trabalho social, contra 38% que optariam por abrir negócio. Esse perfil muda significativamente no Sul do Brasil, onde 61% da juventude indicaram o trabalho social como preferência, enquanto apenas 16% abririam um negócio próprio.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, destacou que a pesquisa será muito útil, já que o governo federal passa a contar com um diagnóstico completo para desenvolver políticas públicas voltadas para a juventude. ''Até então, o trabalho era muito mais intuitivo e, agora, temos um instrumento que vai permitir elaborar políticas específicas para os jovens'', afirmou.
A pesquisa é uma iniciativa do Projeto Juventude/Instituto de Cidadania, com a parceria do Sebrae e Instituto de Hospitalidade, sob a coordenação técnica da Criterium Assessoria. O principal objetivo é orientar projetos desenvolvidos por todos os tipos de instituições e agentes voltados para esse público. No caso específico do Sebrae, a pesquisa é fundamental porque existem programas para jovens, como o jogo Desafio Sebrae, em que mais de 50 mil estudantes universitários disputam anualmente a administração virtual de empresas. Os dados foram coletados entre novembro e dezembro de 2003, com 3.501 pessoas entre 15 e 24 anos, distribuídas em 198 municípios de 25 estados brasileiros.


