Jovens querem condenação de empresário
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segunda-feira, 05 de abril de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Sete das 21 testemunhas convocadas pelo Ministério Público (MP) estadual compareceram ontem na audiência de instrução do processo que apura se o empresário Athayde de Oliveira Neto cometeu os crimes de homicídio duplamente qualificado por dolo eventual, lesões corporais de natureza grave, estelionato e falsidade ideológica quando promoveu o Show Unidos Pela Paz, no dia 31 de maio de 2003. Na oportunidade, três adolescentes morreram pisoteados quando uma multidão tentava entrar para ouvir as bandas de rock tocar dentro do Jockey Clube de Curitiba, no bairro do Tarumã.
O promotor de vendas Jonathan Alisson de Quadros, de 21 anos, foi ao show com 11 amigos. Como não havia segurança, eles conseguiram furar a fila. ''Devia ter mais de 15 mil pessoas na fila. Conseguimos furar e ficamos entre os primeiros para entrar. Foi quando uma das bandas começou a tocar. Começou um empurra-empurra. Só tinham dois seguranças para cuidar da fila. Eu caí no chão por cima de um outro rapaz e as pessoas começaram a passar por cima de mim'', relatou.
Quadros contou que perdeu os sentidos logo depois que viu uma moça tendo uma convulsão também deitada no gramado de entrada. ''Fui pisoteado e me levaram para dentro do estabelecimento. Nem sei como. Quando dei por mim já estava sendo atendido no Hospital Cajuru'', contou. O jovem promotor de vendas ficou traumatizado. ''Eu fiquei uma semana de atestado. Tive síndrome do pânico. Não conseguia andar em locais com muita gente circulando. Até hoje não vou em bares ou shows. Não saio mais à noite. Não gosto de lugares movimentado.''
Jonathan Quadros é uma das testemunhas que pede a condenação de Athayde Neto. Outras depoentes, como Edna Cristina de Andrade mãe de Mariah de Andrade Souza, 14 anos, que morreu no incidente e Maria Dolores Seletti mãe de Larissa Cerzi Seletti, 15 anos, também morta , responsabilizam os promotores do show pelo incidente que vitimou as jovens. Todos foram depor ontem na 3 Vara Criminal de Curitiba.
Além de Athayde Neto, o pai Athayde Oliveira Júnior também foi denunciado pelo MP. No entanto, ele por falsidade ideológica. Ele teria nominado como empresa de eventos um restaurante que possui em Curitiba para conseguir alvará municipal para a realização do show.


