Londrina - Recentemente o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou uma pesquisa que aponta o crescimento de parcela dos jovens brasileiros (pessoas de 15 a 29 anos) que nem estudam, nem trabalham, os chamados jovens ''nem nem''. Chama a atenção o crescimento do número desses jovens entre 2000 e 2010. Neste período, eles passaram de 8,12 milhões (16,9% da população entre 15 e 29 anos), para 8,83 milhões. Para Capelatto, este é mais um sinal de como os jovens têm tentado adiar as mudanças, que sempre são fonte de angústia. ''Eles tornam-se eternos filhos'', define.
As muitas guerras, a intensa violência nas cidades e nas escolas também refletem, de acordo com o psicanalista, a necessidade de não permitir o fim. ''Quando ficamos violentos, é porque a angústia chegou em um ponto que precisamos agredir o outro para não nos agredirmos. A violência que vemos no País não é resultado da miséria. O miserável não sai na rua assaltando. O angustiado é que sai'', defende. De acordo com Capelatto, esta emoção que deveria ser saudável e motivadora, tem se tornado a mãe das patologias sociais e psicológicas. ''Se não canalizarmos a angústia, teremos um fim muito ruim como civilização'', prevê.
Ele reforça que a saída é pararmos para ouvir, conscientes de que nem sempre serão conversas fáceis. ''Muitas vezes elas vêm acompanhadas de choro, de muita emoção, porque tratam de sentimentos de finitude. Mas não há outro caminho. É preciso ouvir, acolher, ficar junto. Não importa a gravidade do que está sendo dito. Precisamos dedicar um tempo para isso, porque a sociedade consumista avança, e com ela avançam também as perdas.'' (S.L.)

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