Jovens não têm informações sobre Aids
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 1998
Aureliano Biancarelli Agência Folha 
Arquivo FolhaEsclarecimentosOs resultados do levantamento levaram o governo a organizar campanha de prevenção nas Forças ArmadasCerca de 45% dos jovens brasileiros acreditam que picada de mosquito pode transmitir o vírus da Aids. Outros 48% acham que há algum risco de contaminação pelo HIV quando se usa um banheiro público. E 46% temem que nadar em piscina pública pode levar uma pessoa a pegar Aids.
Os resultados aparecem em pesquisa feita pelo Ministério da Saúde com 23 mil jovens de 18 anos, de todas as regiões do País. Os entrevistados foram escolhidos entre os 750 mil rapazes que se alistaram nas Forças Armadas em 1996. Uma publicação com os resultados foi divulgada ontem. A desinformação observada na pesquisa não aumenta os riscos de contaminação. Mas os mitos e as falsas crenças podem aumentar o preconceito dos jovens com relação às vítimas da doença. Um jovem que acredita que o mosquito pode transmitir o HIV vai agir de forma preconceituosa com seu vizinho que está com Aids, diz Pedro Chequer, coordenador do Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde.
Da mesma forma, quem crê que há risco de contágio em banheiro público vai discriminar um colega de trabalho que tem o HIV e que usa o sanitário da empresa.
A pesquisa partiu de uma pergunta chave: Qual é o risco de se pegar o vírus da Aids através de qualquer uma das seguintes alternativas? Em seguida, foram listadas dez situações: apertar as mãos de alguém que tem Aids; brincar com uma criança que tem Aids; beijar o rosto de uma pessoa com Aids; picada de mosquito; uso de banheiro público; uso de piscina pública; ser atendido em consultório onde pessoas com Aids são atendidas; uso de drogas por injeção individual; uso de seringa ou agulha usada por outras pessoas sem esterilização; e doação de sangue.
Mais de 65% dos entrevistados disseram que há algum risco em se doar sangue; 28,3% afirmaram que a doação significa um alto risco de contágio. Crenças como essa - observa Chequer - podem dificultar a coleta de sangue no País. Os mitos e a desinformação são ainda maiores entre os jovens da região Norte, das zonas rurais e com baixa escolaridade.
Os 23 mil entrevistados também foram submetidos a exames de sangue. Do total, 0,6% tinham sífilis, porcentagem considerada normal numa população sexualmente ativa. Os testes anti-HIV vão ser divulgados dentro de um mês.
A pesquisa levou o Programa Nacional de Aids a desenvolver trabalhos de prevenção voltados para os jovens em época de alistamento e para os cerca de 80 mil recrutas das Forças Armadas. No ano passado, foi lançada a campanha Aids na Mira, com 500 mil cópias de um jornal.
Oficiais do Exército da área da saúde estão sendo treinados para informar os jovens. E 14 milhões de preservativos estão sendo distribuídos entre os recrutas. A intenção - diz Chequer - é reduzir o preconceito e discutir questões ligadas aos direitos humanos.


