Jovens não sentem falta de nada
Há três anos, Júlio Neto, hoje com 21 anos, ''descobriu'' que era assexual. Para ele, entretanto, nunca houve um momento de transformação. ''Foi tudo um processo, já que desde o começo não tinha preocupação em me encaixar num modelo. Ao mesmo tempo, fui lendo o depoimento de algumas pessoas, conversando com outras'', conta o jovem de Pernambuco, que possui um dos poucos blogs sobre o assunto no país.
Certo de sua orientação sexual, ele conta que já teve alguma experiência, mas, esta não foi agradável. ''Nunca senti desejo sexual por nenhuma pessoa ou por sexo. Definir o que é desejo por sexo é ainda mais complexo. Eu poderia pegar o fato externo: a excitação, a penetração. Mas o que isso significa para mim? Sexo é algo que não sinto interesse'', diz.
O jovem reforça que não sente repulsa por sexo. ''Acredito que o que faz alguém gostar de sexo é o conteúdo intelectual que carrega consigo. Eu eu não assimilo sexo como algo importante na minha vida, como talvez outras pessoas façam.''
Questionado se possui algum relacionamento romântico-afetivo, o jovem comenta que se relaciona com algumas pessoas com troca de amor, carinho, compreensão. ''Tenho relacionamentos abertos, livres. Apenas um deles é com uma pessoa sexual que, inclusive, é o mais complicado. Para muitas pessoas - inclusive assexuais - a assexualidade não é uma realidade tangível'', explica o jovem.
Felipe também afirma que não tem nenhuma aversão ao sexo nem ao contato íntimo. ''Minhas necessidades emocionais e afetivas são iguais às de qualquer outra pessoa, assexual ou não. Preciso e gosto de ter amigos, gosto de dar abraços, possuo sentimentos e emoções como qualquer humano. A única diferença que possuo para maior parte da população é a minha indiferença em sexo. Não sinto falta'', conclui. (M.T.)





