Johanesburgo - Cinco adolescentes morreram de infecção, golpes e desidratação em uma localidade montanhosa no leste de Johanesburgo (África do Sul), em ritos tribais de iniciação.
Os rapazes não passaram nas duras provas exigidas pelos ‘‘professores’’ e foram obrigados a abandonar, nus, o dormitório de uma das chamadas ‘‘escolas de iniciação’’ nas quais, cada inverno, as comunidades negras sul-africanas ensinam a seus filhos como ‘‘se tornar homens’’.
Outros 50 jovens entre 13 e 18 anos foram resgatados por policiais de outros três acampamentos com lesões similares, nas cercanias da capital financeira da África do Sul e internados em hospitais da região.
Pelo menos 18 das vítimas sofrem de desnutrição, graves infecções nas genitais e estão em choque por causa de maus-tratos recebidos desde o início do mês, quando iniciaram a ‘‘aprendizagem’’, disseram fontes sanitárias.
Os médicos sul-africanos têm de amputar a cada ano o pênis gangrenado de dezenas de adolescentes que se submetem a circuncisões rituais, que são feitas com facas ou navalhas sem esterilização e em condições anti-higiênicas pelos curandeiros das tribos.
Diversos jovens, principalmente das tribos Xhosa, Venda e Sotho, vão anualmente a essas escolas de iniciação sob ‘‘pressão cultural’’ de suas famílias. E também há casos em que os adolescentes são levados à força apesar a oposição de seus pais.
Nesses acampamentos, os rapazes, que devem pagar para ser aceitos, vivem em condições subumanas durante um mês, no qual os castigos corporais, a falta de alimentos e andar quase desnudos com temperaturas abaixo de zero, são a maneira de aprender a não serem ‘‘suaves como as mulheres’’.
A polícia disse que quatro dos instrutores da escola na qual morreram os cinco jovens foram detidos e ‘‘podem’’ ser processados por homicídio.

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