Jovens homossexuais se protegem menos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Folhapress 
Brasília - Em relações com parceiro fixo, os meninos que fazem sexo homossexual estão se protegendo menos do que os jovens heterossexuais. A informação está em pesquisa que divulgada ontem pelo Ministério da Saúde. Foram entrevistados, em 2009, 3.610 homens de dez cidades brasileiras.
Entre os jovens que fazem sexo homossexual, 29,3% utilizaram preservativo nas relações com parceiros fixos no ano anterior à pesquisa. Entre os jovens heterossexuais, o percentual fica em 34,6%. Os dois grupos, no entanto, se aproximam quando é analisada a proteção nas relações casuais.
A pesquisa usa o termo HSH (homens que fazem sexo com homens), que abrange os gays e inclui os que fazem sexo homossexual, mas não se colocam nessa categoria. Os jovens gays estão entre as maiores preocupações do governo em relação à Aids. Entre os meninos de 13 a 19 anos, 33,5% dos casos de HIV são transmitidos por sexo homossexual e 28,3% por sexo heterossexual.
Segundo a pesquisa, um em cada dez homens que fazem sexo homossexual tem o vírus HIV, mostra a pesquisa, que foi feita em Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Distrito Federal, Itajaí (SC), Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e Santos.
O percentual dos soropositivos é semelhante ao verificado nos EUA, em que 9% dos homens que fazem sexo com outros homens têm o HIV. Não há um número equivalente para se comparar com a população heterossexual, mas sabe-se que, considerando-se a faixa etária de 15 a 49 anos, em todo o país, o percentual de homens com o vírus é de 0,8%.
Embora considere o dado revelado preocupante, a diretora do Departamento de Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, foi enfática ao afirmar que ele não traz de volta a ideia de que os gays são grupos de risco. Ela lembrou ainda que os casos de HIV entre heterossexuais cresceram nos últimos anos.
Para Pedro Chequer, coordenador no Brasil do Unaids (órgão da ONU para a Aids), é preciso mais estudos para explicar o fenômeno, mas ele avalia que, com a melhoria da qualidade de vida dos soropositivos, há um relaxamento.


