Jovens foram mortos com tiros na cabeça
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sexta-feira, 05 de março de 1999
Agência Estado 
Os três rapazes que desapareceram na manhã da Quarta-Feira de Cinzas, em São Vicente, no litoral paulista, foram executados com um tiros na cabeça, cada um, disparados de armas de grosso calibre, geralmente usadas pela Polícia Militar. Esta é a conclusão da autópsia realizada por seis legistas, durante a madrugada de ontem, no Instituto Médico-Legal de Santos, para onde os corpos foram removidos no início da noite de quinta-feira após serem localizados em uma mata em Praia Grande.
De acordo com o diretor do IML santista, Edson Fuim, os três rapazes apresentavam ferimentos idênticos à bala. A delegada Elizabete Sato, que desde terça-feira preside o inquérito na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da capital, determinou novas buscas à região do Portinho, onde os corpos foram encontrados anteontem à tarde por uma equipe do Comando de Operações Especiais (COE) da PM. A partir da localização dos corpos e dos exames feitos pelo IML, a delegada acredita que já possui provas suficientes para indiciar os policiais detidos na Corregedoria da Polícia Militar.
Em adiantado estado de decomposição, os corpos dos três jovens foram reconhecidos pelas roupas e por sinais particulares. Thiago Passos Ferreira, de 17 anos, foi reconhecido pela mãe, a procuradora Sílvia Giordano, por intermédio de um aparelho dentário e pelas roupas que usava quando saiu de casa, na terça-feira de carnaval para o baile no Ilha Porchat Clube. A carteira do clube foi localizada no bolso de sua bermuda. Ânderson, de 14 e Paulo Roberto, de 21 anos, foram reconhecidos pelas roupas.
Muito emocionados, os familiares que compareceram ao IML para o reconhecimento dos corpos pediam Justiça. Só mesmo sendo verdadeiros animais para fazer isto com o meu filho. Parece que esses policiais não têm família para praticar uma barbaridade dessas com os três garotos, afirmava, em prantos, Maria da Conceição da Silva, mãe de Paulo Roberto.
Ontem, durante o velório dos dois rapazes que moravam em São Vicente, Paulo Roberto e Ânderson, o clima era de dor e desespero. O zelador Narciso dos Santos, pai do adolescente de 14 anos, não se afastava do caixão, agarrado à cédula de identidade do filho. Pedia Justiça, num choro desesperado que comovia a todos que estavam presentes ao local. Os dois jovens foram enterrados no final da tarde, em São Vicente. Em consequência do atraso na liberação do corpo, o sepultamento de Thiago Passos Ferreira foi transferido para hoje, no Cemitério Congonhas, em São Paulo.
OS EXAMES
- Cada um dos adolescentes levou um tiro na cabeça, com balas de grosso calibre (as balas não haviam sido encontradas no local onde estavam os corpos)
- Nenhuma das balas ficou alojada nos corpos
- Causa mortis dos três, segundo os laudos do IML: traumatismo craniano e lesão pérfuro-contusa
- Não houve fraturas em nenhum dos corpos
Paulo Roberto da Silva, 21
- Trajetória da bala: perfurou a região acima da nuca e saiu pela parte frontal do rosto, um pouco acima do olho esquerdo.
Anderson Pereira dos Santos, 14
- Trajetória da bala: entrou um pouco acima da orelha esquerda, e saiu na altura da direita
Thiago Passos Ferreira, 17
- Trajetória da bala: entrou um pouco acima da orelha esquerda, e saiu na altura da direita
Os peritos do Instituto Médico Legal não puderam constatar se houve espancamento ou algum outro tipo de violência nos corpos porque, quando foram encontrados, já estavam sem músculos. Ferimentos nos músculos poderiam ser detectados no exame e seriam prova de que os garotos foram espancados ou entraram em confronto corporal antes de terem sido assassinados.
Fonte: IML de Santos e Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (Agência Folha)


