Jovens foram executados com tiro na cabeça; famílias pedem Justiça
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Zuleide de Barros, especial para a AE 
Santos, SP, 05 (AE) - Os três rapazes que desapareceram na manhã da Quarta-Feira de Cinzas, em São Vicente, no litoral paulista, foram executados com um tiro na cabeça, cada um, disparados de armas de grosso calibre, geralmente usadas pela Polícia Militar. Esta é a conclusão da autópsia realizada por seis legistas, durante a madrugada de hoje, no Instituto Médico-Legal de Santos, para onde os corpos foram removidos no início da noite de quinta-feira após serem localizados em uma mata em Praia Grande.
De acordo com o diretor do IML santista, Edson Fuim, os três rapazes apresentavam ferimentos idênticos à bala. Um deles levou um tiro na nuca e os outros dois nas têmporas. Porém, nenhum projétil foi encontrado. "Como os tiros foram disparados de armamento pesado, provavelmente de revólveres calibre 45 ou de armas de 9 milímetros, é impossível recuperar os projéteis, que devem ter permanecido na região", disse.
Por causa disso, a delegada Elizabete Sato, que desde terça-feira vinha preside o inquérito na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da capital, determinou novas buscas à região do Portinho, onde os corpos foram encontrados ontem à tarde por uma equipe do Comando de Operações Especiais (COE) da PM.
A partir da localização dos corpos e dos exames feitos pelo IML, a delegada acredita que já possui provas suficientes para indiciar os policiais detidos na Corregedoria da Polícia Militar. Corpos - Em adiantado estado de decomposição, os corpos dos três jovens foram reconhecidos pelas roupas e por sinais particulares. Thiago Passos Ferreira, de 17 anos, foi reconhecido pela mãe, a procuradora Sílvia Giordano, por intermédio de um aparelho dentário e pelas roupas que usava quando saiu de casa, na terça-feira de carnaval para o baile no Ilha Porchat Clube. A carteira do clube foi localizada no bolso de sua bermuda. ¶nderson, de 14 e Paulo Roberto, de 21 anos, foram reconhecidos pelas roupas.
Muito emocionados, os familiares que compareceram ao IML para o reconhecimento dos corpos pediam Justiça. "Só mesmo sendo verdadeiros animais para fazer isto com o meu filho. Parece que esses policiais não têm família para praticar uma barbaridade dessas com os três garotos", afirmava, em prantos, Maria da Conceição da Silva, mãe de Paulo Roberto. Enterro - Hoje, durante o velório dos dois rapazes que moravam em São Vicente, Paulo Roberto e ¶nderson, o clima era de dor e desespero. O zelador Narciso dos Santos, pai do adolescente de 14 anos, não se afastava do caixão, agarrado à cédula de identidade do filho. Pedia Justiça, num choro desesperado que comovia a todos que estavam presentes ao local. Os dois jovens foram enterrados no final da tarde, no Cemitério Municipal de São Vicente.
Em consequência do atraso na liberação do corpo pelo Instituto Médico Legal (IML) de Santos, o sepultamento de Thiago Passos Ferreira, de 17 anos foi transferido para amanhã, às 11 horas, no Cemitério Congonhas, em São Paulo.


