Jovens fazem manifestação anti-racista de apoio a Pitta
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Uilson Paiva 
São Paulo, 20 (AE)- O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (sem partido), só está sendo acusado de corrupção porque é negro. A idéia estava em cartazes, faixas e nos discursos inflamados de dezenas de manifestantes pró-Pitta concentrados hoje em frente a Câmara de Vereadores, em São Paulo. A maioria era jovem e negra.
O manifestantes vestiam camisetas com frases como "Precisamos de Pitta". Uma das faixas dizia: "Pitta é a solução". Perguntados sobre os motivos do protesto, os jovens não eram tão enfáticos.
Ana Paula da Silva, de 18 anos, demorou quase um minuto para responder a pergunta do repórter: por que São Paulo precisa de Pitta? "Ah, eu não sei, porque ele ajuda a gente", respondeu. Assim como boa parte das pessoas, Ana mora na Vila Penteado, zona sul da cidade.
A poucos metros dela, uma estudante de 17 anos, que não quis dizer o nome, segurava um cartaz com a incrição "Martins Cardozo, onde estão os fantasmas do PT e da Erundina?" Questionada sobre quem seria Martins Cardozo, ela afirmou: "Sei lá." A resposta correta também não foi dada pelas pessoas que estavam ao seu lado. José Eudardo Cardozo (PT) é vereador e presidente da CPI dos Fiscais.
Sentado no canteiro da rua, Rubens Mariano da Silva chamou o repórter. "Me entrevista", disse. "Tenho algumas coisas para dizer sobre o prefeito." Ele vestia uma camiseta de apoio a Pitta. Ele emendou: "O prefeito não pode sair porque é gente do povo, colocada pelo povo." Perguntado se havia se preparado para dizer aquilo, Silva confirmou. "Vinha pronto para dizer isso", disse. "Mas é uma verdade, não é?"
O dono do carro de som, utilizado para os discursos, José Luis Borsato, da empresa Companhia Momentos, afirmou que o veículo fora cedido de graça. "A gente fez isso porque é uma manifestação popular", explicou. Em seguida reconheceu não ser um procedimento comum a uma empresa. De início relutante sobre opiniões políticas - "Não sou a favor nem contra o Pitta --, Borsato terminou quase num desabafo. "Na verdade, essa roubalheira aí vem desde o tempo do Maluf."
Atraído pela bateria de escola de samba e pelos slogans anti-racistas dos manifestantes, William Alves foi até a porta da Câmara. Ele não acreditou no que via. "É isso mesmo que está acontecendo", perguntou. "Estão dizendo que o Pitta só está sendo acusado porque é negro?" Alves, que é negro, foi embora balançando a cabeça, em sinal de desaprovação. "Isso aqui não pode ser verdade."


