Jovens de SP condenam uso de drogas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de novembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
A maioria dos jovens e adolescentes das áreas urbana e rural do Estado de São Paulo considera o casamento uma institução fundamental (58,1%) e condena o uso das drogas (86.6%). Para quase metade (46%), a virgindade ainda tem valor, embora 59,3% admitam que o sexo faça parte do namoro. Os dados constam de uma pesquisa feita com 2.337 adolescentes e jovens, entre 12 e 24 anos, dos dois sexos, de diferentes classes sociais.
O trabalho foi elaborado pela coordenadora do Programa de
Atendimento Integral à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, Albertina Duarte Taikiuti. A pesquisa, feita de 1991 a 1993, foi apresentada esta semana, no 3º Encontro Nacional de Técnicos da Juventude, no Rio, promovido pelo Movimento Universitário de Desenvolvimento Econômico e Social (Mudes).
As entrevistas também foram feitas por jovens, entre 18 e
24 anos, e acompanhada por Hebert Frideman, da Organização Mundial de Saúde (OMS). Entre os entrevistados, 81,4% nasceram em São Paulo e 18,6% em outros Estados. A pesquisa abordou questões relacionadas com comportamento sexual, valores atribuidos à sexualidade, conhecimento e uso de métodos anticoncepcionais, conhecimento de drogas, influência da mídia na sexualidade e expectativa sobre o plano de vida.
Dentre os entrevistados, 93,4% são solteiros e 55,4% já
tiveram experiência sexual. A influência da mídia no comportamento dos jovens ficou patente: 79,5% acham que filmes e propagandas eróticas influenciam na atividade sexual de adolescentes e 77,8% acham que a televisão influencia no corportamento deles. A maior parte, 30,2%, afirma que a mídia foi a principal fonte de informação sobre métodos anticoncepcionais.
Apesar de 86% (2009) saberem que DST se transmite pelas relações sexuais, 69,5% dos que já tiveram experiência sexual admitiram que não usaram nenhum método anticoncepcional na primeira relação. Dentre os que já usaram preservativos, 51% se valeram da camisinha e 30,7% da pílula. Os métodos definitivos, como laqueadura e vasectomia, aparecem em seis casos - 0,6% daqueles que usaram métodos anticoncepcionais.
Entre os 391 que admitiram não usar métodos anticoncepcionais, 27,9% alegam desconforto e 21,7%, esquecimento. No entanto, 69,9% dos adolescentes que mantêm relação sexual (1302) dizem usar métodos anticoncepcionais. De todos os entrevistados, 90,1% (2106) dizem conhecer métodos anticoncepcionais. Os jovens e adolescentes paulistas se mostram liberais no que tange a preconceito racial, já que 75,3% não têm este tipo de discriminação com relação à sexualidade.
A maioria dos que têm experiência, 64,9%, responderam que a primeira relação foi com namorado ou noivo. Desses, 25,1% iniciaram as relações antes dos 15 anos. Entre os que tiveram relação sexual, 53,8% alegam que foi o desejo a principal motivação.
Escola A pesquisa revela ainda que 29,8% dos jovens e adolescentes de São Paulo estão fora da escola e 42,1% já estão trabalhando. A grande maioria (892%) mora com a família e 42,5% desconhece a renda familiar. Do total, 74,7% acham correto os jovens ter relações sexuais, embora 44,3% não tivessem mantido relações sexuais no momento da pesquisa. Entre os
anticoncepcionais, 31,5% dizem conhecer as pílula e 27,6%, todos os métodos. Os mais usados, segundo a pesquisa, são a camisinha (19,6%) e a pílula (11,8%).
Segundo a pesquisa, 56,8% conhecem cocaína, maconha e
outros, menos LSD. Os que conhecem maconha, cocaína e LSD constituem 19,6% dos entrevistados, ante 14,3% que dizem conhecer todas as drogas. Entre os que experimentaram droga, 23% alegaram curiosidade, 20% dizem que foi para sair da realidade, 16% por causa de problemas familiares e 14,4% alegaram que a maioria dos amigos usam. Estudar é o plano de vida da maioria dos entrevistados (43,4%), seguido da ter estabilidade econômica (15,4%).


