Jovens de bem com o espelho
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segunda-feira, 07 de janeiro de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A insatisfação com o espelho, a exemplo da fábula ''O Patinho Feio'', pode começar bem cedo. Mas, se, na história, a beleza é descoberta na idade adulta, na vida real, o bisturi é a alternativa. É o que mostram números da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) - em dez anos, a porcentagem de adolescentes que passam por cirurgias estéticas dobrou.
Em 1997, os pacientes menores de 18 anos correspondiam a 7% do total de procedimentos cirúrgicos deste tipo realizados no País. Em 2004, o índice foi de 13% e, no ano passado, o índice saltou para 15% entre os teens. Em 2006, 800 mil pessoas (entre elas cerca de 120 mil jovens) passaram por alguma cirurgia plástica no Brasil.
Para o presidente da SBCP, Osvaldo Saldanha, o aumento de adolescentes que recorrem à mesa de operação para melhorar a aparência é reflexo da facilidade do acesso à plástica. ''Atualmente, os procedimentos são mais baratos, o que democratizou a cirurgia. Apesar disso, não se pode abrir mão do bom senso. Antes dos 16 anos, o corpo ainda está amadurecendo. Não é indicado uma lipoaspiração ou implante de silicone aos 14 anos, por exemplo'', diz Saldanha.
O cirurgião plástico Ody Silveira Júnior, de Londrina, ressalta que é preciso estar atento para a fase da vida que a pessoa vive. ''Se ela vem com a história que faz seis meses, um ano, que resolveu operar o nariz, por exemplo, o problema dela não é o nariz. Ou ela perdeu o namorado, ou está passando por uma fase de baixa auto-estima. Depois que passou essa fase, ela nem lembra mais que queria operar'', afirma.
As cirurgias mais solicitadas, segundo ele, são a de colocação de prótese nas mamas e lipoaspiração. Isso, nas meninas. Nos homens, a cirurgia para correção de orelha de abano e a ginecomastia, para corrigir o crescimento das glândulas mamárias, continuam as mais pedidas. E a lipoaspiração já começa a ganhar espaço. Na clínica do cirurgião plástico Walter Montenegro, de São Paulo, os campeões são os seios. ''A maior parte das adolescentes quer reduzir as mamas, quando a indicação médica avalia que são desproporcionais'', afirma o especialista.
Enquanto a cirurgia de orelha de abano pode ser feita em crianças acima dos seis anos de idade, as de redução de mama ou colocação de prótese pedem que a menina já tenha passado a fase de crescimento. ''No caso da lipoaspiração e da prótese de mama a gente tem esperado um pouco depois que parou de crescer. E quando a gente vê que uma indicação não é tão precisa, também pede para esperar, para ver se a cirurgia é aquilo mesmo que ela quer'', avalia Silveira.
No caso da prótese de mama, ele ressalta que não se pode esquecer que a menina pode ficar grávida e amamentar, ocasiões que causam aumento das mamas. Além disso, apesar de pequeno, há risco da prótese causar estrias. ''A paciente tem que ter consciência que isso pode acontecer'', avalia.
E, nem sempre a plástica é a única solução. A médica Albertina Takiuti, de São Paulo, alerta que, às vezes, mudar os hábitos de vida já ajuda: ''Antes de pensar em lipoaspiração, que tal fazer esportes e uma dieta balanceada?''. (com Agência Estado)


