Curitiba - Jovens ''bravos'' são um problema grave de segurança pública. A opinião é de Raymond Kendall, secretário geral reformado da Interpol, palestrante da 7 Conferência da Associação Internacional dos Chefes de Polícia (IACP), encontro sobre segurança pública que terminou ontem em Curitiba.
De acordo com o ex-policial, pessoas sem emprego, desiludidas e sem ideais são capazes de manifestações perigosas direcionadas ao Estado. ''Precisa haver condições para o policial aplicar a lei e, com estes jovens, não existem essas condições. Nós (policiais) não estamos preparados para lidar com eles'', desabafa.
Na opinião de Kendall, o jovem de baixa renda pode causar um problema ainda maior, justamente por não enxergar soluções para seu problema social.
Membro de um conselho mundial de segurança pública, Kendall afirma que a polícia em geral não consegue operar da forma como deve e, em muitos casos, o Estado espera que ela dê respostas aos problemas sociais. ''Mas ela acaba não atendendo às expectativas das comunidades a que servem'', disse.
Ele exemplifica citando o caso do Afeganistão, onde o cultivo de heroína era base econômica de milhares de famílias, mas foi feito um trabalho desviando a finalidade da planta, agora utilizada em grande parte para a produção de morfina, droga utilizada na medicina. Kendall comparou o país do Oriente Médio ao Brasil, com uma população carente de uma polícia eficiente.
Lembrando que, que uma a cada três pessoas no mundo mora em áreas de favela, o ex-secretário da Interpol afirma que o Estado precisa ter controle sobre estas áreas. ''Tem que saber quem lidera estes locais. E é inaceitável tirar o poder de fogo das polícias que atuam nas favelas'', reforça.
Para ele, problemas de segurança pública são resolvidos principalmente com políticas sociais. ''O Brasil está no caminho certo com o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) - um projeto ambicioso do Governo Federal que investirá R$ 6 bilhões até o fim de 2012 - com uma abordagem multidisciplinar da questão: ampliação da polícia, melhoria do sistema prisional, trabalho com grupos comunitários, entre outros'', disse.

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