''Isso não pode continuar acontecendo. O que temos presenciado em Londrina é o que vem ocorrendo em uma escala estadual e nacional, que é o aumento da violência entre jovens'', afirma a especialista Márcia Siqueira de Carvalho, que, despertada pelo cenário de violência na cidade, desenvolveu o projeto de estudo ''Novas Configurações Socioespaciais da Região Metropolitana de Londrina'' em 2010, que resultou no subprojeto ''Geografia da Violência Urbana de Londrina''.
Utilizando publicações de notícias e ocorrências atendidas pelo Siate entre 2005 e 2009, Márcia chegou ao perfil dos mais atingidos pela violência. ''São jovens do sexo masculino, até 24 anos, mas percebi também um aumento significativo de menores de idade. E quando verifiquei em que circunstâncias ocorreram essas mortes por arma de fogo, descobri que os disparos partiram de jovens/adolescentes da periferia contra outros da mesma classe social'', observa.
A pesquisa também revelou as regiões mais violentas, com alto índice de homicídios por arma de fogo. Entre elas, a Zona Oeste, onde Márcia aponta a existência de territórios ligados diretamente à comercialização de drogas e liderados por grupos que exercem um poder sob a comunidade.
''O reflexo desse poder são as normas estipuladas por traficantes à toda comunidade, interferindo na mobilidade das famílias. Elas passam a respeitar horários para se recolher e, muitas vezes, são proibidas de frequentar 'território inimigo'. Essa autoridade é tão forte que até as pessoas que não estão vinculadas diretamente com a hierarquia do tráfico local são subordinadas'', salienta. (M.O.)

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