Curitiba - Três adolescentes seguem internados no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, depois de terem sido atingidos por um raio durante um temporal na tarde de quinta-feira em Colombo, na região metropolitana da capital. Eles e mais quatro meninos jogavam bola em um campinho improvisado em um terreno baldio na Rua São Pedro, no bairro Alto Maracanã, quando ocorreu a descarga elétrica.
Os garotos de 12 e 13 anos, que não tiveram os nomes divulgados, estão entubados e sedados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado gravíssimo. A terceira vítima, de 11 anos, quebrou a clavícula, mas está consciente. Os outros quatro meninos apenas precisaram de atendimento médico no posto de saúde local. As informações são da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).
Os raios já tinham feito uma vítima fatal nesta semana. Na quarta-feira, em Curíuva (Norte Pioneiro), um adolescente de 13 anos morreu ao ser atingido por um raio em uma plantação de Pinus.
''Normalmente os raios convergem para pontos altos e as pessoas devem ficar atentas a isso. Não adianta ficar embaixo de uma árvore, é um risco muito alto. E deve-se sair de qualquer área descampada'', disse o major Diego Rodrigues, do Corpo de Bombeiros.
Rodrigues lembra que não é preciso estar chovendo para haver raios. As descargas elétricas podem se formar antes das tempestades. ''Estes casos não ocorrem com tanta frequência porque as pessoas procuram se proteger quando começa a chover mais forte. Entretanto, algumas poucas pessoas insistem em correr risco e nessas situações podem acontecer os incidentes. Normalmente os registros ocorrem longe dos grandes centros, porque nas cidades maiores é cada vez maior a existência de para-raios'', completou.
No dia 27 de julho um homem de 24 anos foi atingido por um raio no distrito de Cedro, em Perobal (Região Metropolitana de Umuarama). Ele teve o corpo parcialmente carbonizado e morreu na hora. Em 17 de setembro, um agricultor de 65 anos morreu ao ser atingido por um raio na comunidade de Linha Vila Progresso, em Pérola do Oeste (Sudoeste).
Incidência
O Brasil é o país com a maior incidência de raios do mundo, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Um levantamento do órgão, divulgado no ano passado, apontou que, entre 2000 e 2010, 1.410 pessoas morreram vítimas de raio - 129 mortes por ano em média. O estudo também apontou que a maioria dos casos ocorre na zona rural (60%), contra 25% na zona urbana, 10% no litoral e 5% nas rodovias. Além disso, segundo Inpe, a circunstância mais comum associada à morte por descarga atmosférica é a atividade agropecuária (19%), promixidade de árvores (12%), permanência em campo de futebol (10%) e permanência em praia (7%).
Dados recentes do Inpe sobre a incidência de raios apontam que a cidade de Mercedes (Oeste), é a que mais registrou descargas atmosféricas (15,4 raios por quilômetro quadrado ao ano) no Paraná. Em seguida aparecem Capanema (14,7), Nova Santa Rosa (14,5) e Xambrê (14,3).
Clima
De acordo com o Instituto Tecnológico Simepar, a formação de tempestades é favorecida pela constante entrada de entrada das frentes frias no Estado. No choque com as altas temperaturas o fenômeno se intensifica provocando grande volume de água, ventos fortes e intensas descargas elétricas. ''Este cenário foi verificado em Colombo, na tarde de quinta. Por volta das 17 horas o radar meteorológico detectou a forte tempestade na cidade'', afirmou o meteorologista Tarcísio Valentin da Costa.

Imagem ilustrativa da imagem Jovens atingidos por raio são hospitalizados
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