Jovens adoram TV mas dizem que ela não retrata realidade
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 25 (AE) - A realidade dos jovens não passa na televisão. A opinião é da a maioria dos estudantes entrevistados pela pesquisa "Fala Galera", da Unesco, que, apesar disso, depositam nos meios de comunicação uma grande confiança - o setor perde apenas para a família e a igreja. Para os entrevistados, a TV retrata a juventude de duas formas: associado às drogas, ao sexo e à baderna; ou na concepção unívoca de "geração saúde".
Segundo a pequisa, 55,7% dos estudantes mais ricos e 43% dos mais pobres acham que a televisão mostra um tipo de jovem bonito e saudável. Em seguida, vêm os tipos problemático (geralmente, o drogado), com 27,9% e 23,7%, respectivamente, e violento - 26,9% e 28,2%. A imagem de trabalhador e estudioso, a qual os entrevistados mais se identificam, aparece em quarto colocado na classificação, com 20,8% (entre os ricos) e 28% (entre os pobres). "Apesar de terem grandes críticas à mídia, principalmente, à forma reducionista com que ela trata a realidade, esses adolescentes vêem mídia uma aliada forte", afirma Maria Cecília Minayo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), parceira da Unesco no trabalho.
Segundo Maria Cecília, os jovens consideram que os meios de comunicação coloca os problemas brasileiros "em foco". "Eles mostram o que ocorre no dia-a-dia da nossa política, os problemas de corrupção etc", diz. Apesar de terem confiança na mídia, os jovens - especialmente os das classes média e alta - são paradoxais quanto à influência dela na sociedade. A maioria considera que a mídia provoca uma influência negativa.
"Os jovens de todos os estratos acham que a TV e os jornais influenciam no aumento dos conflitos da sociedade, na medida em que veiculam de forma exagerada e incentivam comportamentos violentos", ressalta Maria Cecília. De modo geral, os estudantes admitem que são influenciados pela TV na hora de consumir.


