Uma jovem transplantada de coração, Adriana Vasconcelos Araújo, de 22 anos, deu à luz, ontem, a uma menina no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre. Este é o segundo caso no Brasil de uma mulher que recebeu um coração transplantado engravidar e ter o bebê após a cirurgia considerada de alto risco. ‘‘Tanto a mãe quanto a filha, chamada Laís, estão passando bem’’, contou a enfermeira Lídia Lucas Lima, da equipe de transplantes do IC. O pai é o operador de máquinas Daniel Maia, também de 22.
A gravidez de Adriana foi acompanhada pelos médicos do instituto. Ontem, às 8h24, nasceu Laís, após cesariana realizada pela obstetra do setor de cardiologia fetal, Anna Marcela Aramayo. No Brasil, segundo a enfermeira Lídia, o primeiro caso do gênero ocorreu em São Paulo há cerca de seis anos. Nos Estados Unidos, 18 transplantadas de coração já teriam chegado ao parto.
A maior ameaça no caso de transplantadas grávidas são eventuais infecções contraídas durante o parto. A exemplo de outros pacientes de cirurgias similares, Adriana deve tomar diariamente dois comprimidos de ciclosporina, a droga que evita a rejeição do órgão transplantado pelo organismo do receptor. Embora a ciclosporina seja indispensável pelo resto da vida do transplantado, ela reduz seus mecanismos de defesa contra o ataque de microorganismos.
Como o bebê também teve contato com a ciclosporina durante sua vida no útero, foi levado para um isolamento. ‘‘Deverá ficar dois dias lᒒ, adiantou Lídia. A medicação utilizada permanentemente pela mãe também impedirá que Adriana amamente Laís. ‘‘A ciclosporina também é excretada no leite materno’’, explicou a enfermeira.
O cirurgião Ivo Nesralla, do IC, foi responsável pela operação de Adriana, no dia 24 de dezembro de 1991. Na época, ela tinha tinha 15 anos. Seu coração - ela sofria de miocardiopatia dilatada - foi substituído pelo de um homem de 39 anos. Apesar da idade do doador, considerada superior à mais adequada, ela nunca teve problemas pós-operatórios.

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