Células-tronco, transplante de ilhotas do pâncreas, seja o que for, a estudante Naiara Guilhen Martins, de 16 anos, está disposta a ser voluntária de pesquisas. ''É uma esperança que a gente tem. Não posso ficar sabendo de todas essas pesquisas, ficar por dentro de tudo, e aceitar ter diabetes o resto da vida. O que surgir estou disposta a encarar'', afirma.
Tanta convicção não quer dizer que ela não conviva bem com a doença. ''No começo, demorou para 'cair a ficha', e depois de um tempo eu fiquei mal, com um pouco de depressão. Mas, hoje em dia é muito tranquilo'', conta a jovem, que faz o controle de glicemia quatro vezes por dia e se aplica insulina todas as manhãs.
Naiara descobriu que tinha diabetes tipo 1 há cerca de três anos, quando começou a apresentar os primeiros sintomas: emagrecimento rápido, sede excessiva, muita vontade de urinar, e infecções. ''Já era magra e emagreci oito quilos em dois meses, mesmo comendo muito. Bebia muita água e acordava quatro vezes por noite para ir ao banheiro. Também tinha dor na perna e a visão ficou um pouco turva'', lembra.
Mas foi por causa de uma infecção no ouvido e uma infecção urinária que procurou um médico. A mãe lembra que elas estavam em férias na praia, foram ao posto de saúde, mas ''nem exame de sangue pediram''. Só quando voltaram a Londrina, é que se descobriu que ela tinha diabetes. ''Não desconfiamos porque não há casos na família'', conta a mãe, Rosinei Guilhen Martins.
O que a incomoda na doença são as restrições, principalmente alimentares, daí a vontade de participar de pesquisas que possam ajudá-la. ''O que me incomoda é não ter muita liberdade, até porque nunca tive problemas de saúde'', afirma. ''Acho que a gente tem que tentar de tudo, desde que não haja risco para a vida'', salienta a mãe. Naiara já procurou equipes de pesquisa em São Paulo, mas não obteve resposta.(C.P.)

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