Jovem presa por sequestro é suspeita de envolvimento em tráfico de crianças
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terça-feira, 17 de agosto de 1999
Por Andreia Maia 
Rio, 18 (AE) - A Polícia Federal começou a investigar hoje a existência de uma quadrilha especializada no tráfico internacional de crianças. A suspeita intensificou-se com a prisão de Maria Renata Góes Paes, de 20 anos, acusada de ter sequestrado J.M.M., de dois anos, no domingo, em Rocha Miranda, na zona norte do Rio. Ela deverá prestar depoimento nos próximos dias na Delegacia de Ordem Política e Social da PF (DOPS), na zona portuária.
O delegado da 40ª Delegacia Policial (Honório Gurgel), José Otílio, responsável pela prisão de Maria Renata, enviou hoje o depoimento da acusada à PF. Segundo ele, o caso será analisado e investigado pela Polícia Federal, já que existe a suspeita de que Maria Renata seja integrante de uma quadrilha que faz tráfico de crianças. No bolso da roupa da acusada, policiais civias encontraram dois tíquetes de passagens áereas usadas, cujo destino era a cidade de Buenos Aires, Argentina.
No depoimento que prestou ao delegado Otílio, Maria Renata apresentou versões contraditórias para esclarecer o crime. Ela disse que o objetivo do sequestro era embarcar J. para o exterior. Depois, a moça confessou que pretendia vender o bebê e comprar passagens de volta para Alagoas, estado onde nasceu."Ela parecia uma pessoa desequilibrada, mas não podemos descartar a hipótese de uma tentativa de confudir a investigação da polícia", afirmou o delegado.
Maria Renata foi presa quando estava na Igreja Batista Nova Filadélfia, em Rocha Miranda. Ela levou a menina da casa da avó, aposentada Maria Martins dos Santos, de 63 anos, no domingo. A avó de J. conheceu a acusada na rua, sábado à tarde, e a levou para casa. A moça disse à aposentada que precisava de um lugar para morar, pois havia acabado de chegar de Alagoas. Maria Renata foi autuada no Artigo 148 do Código Penal (sequestro ou cárcere privado), cuja pena pode chegar até cinco anos de prisão.


