Jovem negro corre risco 2,5 vezes maior de ser morto
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quinta-feira, 07 de maio de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina O Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014, estudo divulgado ontem pela Secretaria Nacional de Juventude, aponta que jovens negros com idades entre 12 e 29 anos correm 2,5 vezes mais risco de morrer do que jovens brancos. Em todos os estados a vulnerabilidade de jovens negros é maior. A única exceção é o Paraná, em que o risco de um jovem negro ser assassinado é inferior ao de um jovem branco. Em 2012, foram mortos 1.456 jovens brancos e 456 jovens negros no Estado. Com base na população dos dois grupos, o estudo define o risco relativo em 0,66.
O Paraná, inclusive, tem a maior taxa de assassinato de jovens brancos do País. São mortos 71,2 jovens brancos por grupos de 100 mil habitantes contra 41,7 jovens negros. Na outra ponta da tabela, a Paraíba lidera o ranking com 115,4 jovens negros por 100 mil habitantes, relação de 13,4, seguido por Pernambuco (11,6), Alagoas (8,7) e Distrito Federal (6,5). A maior discrepância é verificada na região Nordeste, cuja taxa de homicídios entre jovens negros (87,0) é quase quatro vezes superior a de jovens brancos (17,4).
Na sequência, aparece a região Norte, com taxa de mortalidade por homicídios entre jovens negros de 72,5, ou 214% superior à taxa entre jovens brancos (23,1). A região Centro-Oeste apresenta taxa de homicídios de jovens negros 182% superior a de jovens brancos (88,6 contra 31,5) e a região Sudeste, 127% superior (53,2 entre jovens negros e 23,5 entre jovens brancos). A região Sul destaca-se por apresentar a menor taxa de homicídio entre jovens negros, bem como a menor discrepância entre a taxa de jovens brancos, da ordem de 8%.
O Paraná também foi destaque positivo por conseguir reduzir índices de homicídios de jovens em comparação a 2007. No grupo de 12 a 18 anos, a redução foi de 7,6%. Já na faixa etária entre 19 e 24 anos, houve redução de 9,5%. Por último, os homicídios de jovens entre 25 e 29 caíram 4%. Além do Paraná, apenas Espírito Santo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e São Paulo conseguiram redução dos índices.
VULNERABILIDADE
Além dos homicídios, o relatório elaborado em parceria entre secretaria, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Ministério da Justiça e o escritório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) traça o perfil de vulnerabilidade de jovens negros levando em conta mortalidade por acidentes de trânsito, frequência à escola e situação de emprego; pobreza no município e desigualdade. Com relação à vulnerabilidade, Alagoas é o estado com maior índice, seguido da Paraíba, Pernambuco e Ceará. São Paulo tem a menor, junto de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal.
Nesse quesito o Paraná deixa a zona de conforto e passa para uma área intermediária de atenção, segundo o estudo. Medido em uma escala de 0 a 1, o Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) Violência e Desigualdade Racial do Estado ficou em 0,408, na 16ª posição no País. Em relação aos estados de Sul e Sudeste, o Paraná só fica atrás do Espírito Santo, que teve índice 0,496, na sexta colocação no ranking nacional.
A coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Nilza da Silva, advertiu que alguns dados precisam ser analisados com cautela. Ela citou dados do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) 2 de Londrina que aponta que em 2013, de 47 adolescentes assassinados, 33 eram negros (22 pardos e 11 pretos). "Ainda não avaliei a metodologia da pesquisa, mas o que percebemos é que, pelo menos Londrina acompanha a realidade nacional", argumentou.


