Imagem ilustrativa da imagem Jovem nega ter matado idosa japonesa no centro de Londrina
| Foto: Ricardo Chicarelli/Grupo Folha


Atormentada pela criminalidade que virou rotina em São Paulo (SP), cenário peculiar a boa parte das grandes cidades brasileiras, Teruko Kobayashi, na época com 60 anos, decidiu que o sossego seria o seu companheiro diário. Em 2012, ao tomar tal decisão, vislumbrou que encontraria a tão desejada tranquilidade em uma humilde residência na Rua Iguape, nas imediações da movimentada Avenida Rio Branco, centro de Londrina.

Sem filhos, a aposentada optou pelo pacato bairro londrinense para justamente fugir da violência. Em março de 2017, cinco anos após sair da selva de pedra, a idosa foi encontrada morta no interior do box do banheiro com uma mangueira enrolada em seu pescoço. A morte foi confirmada por uma médica do Samu, chamada por guardas municipais que inicialmente atenderam a ocorrência.

O relatório dos investigadores da 10ª Subdivisão Policial detalha que o interior da residência da vítima "estava totalmente em desordem e revirado, indicando ainda que alguém abriu as portas de armários de todos os cômodos". Desde o princípio, o caso foi tratado como latrocínio, que é o roubo seguido de morte.

Além dos móveis revirados, os policiais encontraram mais bagunça na parte externa: uma TV coberta com um pano, uma mala contendo diversos materiais e uma garrafa pet esquecida no canteiro do quintal. O recipiente de refrigerante foi recolhido pela perícia e encaminhado para exames no Instituto de Identificação.

O caso do latrocínio envolvendo a aposentada Teruko Kobayashi é analisado pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio
O caso do latrocínio envolvendo a aposentada Teruko Kobayashi é analisado pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio | Foto: Arquivo FOLHA


O órgão, em documento assinado por dois papiloscopistas, constatou que o objeto analisado possuía a impressão do dedo médio esquerdo de Igor Machado da Silva, 23 anos. O suspeito foi preso dois meses após o crime na Rua Niterói, perto da Avenida Leste Oeste.

A Polícia Civil coletou imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos próximos à Rua Iguape para identificar Silva. Segundo as investigações, ele aparece percorrendo vias conhecidas do Jardim Agari, como Oiapoque, Araguaia e Guaporé, trajando uma camiseta preta e boné vermelho. Silva também teria sido flagrado por um travesti que trabalha com reciclagem pulando o muro da residência da japonesa.

Na delegacia, o jovem, que já foi condenado por roubo, preferiu o silêncio. No último dia 14, durante audiência de instrução na 3ª Vara Criminal, onde o processo corre, Silva voltou a refutar as acusações. "É tudo falso. Eu não tenho nada a ver com isso (assassinato). Sou apenas um usuário de drogas confesso", disse ao juiz Juliano Nanuncio, que cuida do caso. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do réu.

Em uma das imagens, a polícia afirmou que o responsável por matar a idosa possuía uma cicatriz de queimadura no braço direito. "Isso é uma facada que eu levei durante uma briga. Até coloquei uma platina para recuperar os movimentos da mão", comentou Silva.

Sobre a digital registrada na garrafa pet, o suspeito comentou "que nem sabe o que dizer. Não estou entendendo o que está acontecendo comigo. Eu fico na rua porque sou dependente do crack, mas nunca vi essa senhora", completou, referindo-se à vítima.

Igor Machado da Silva permanece preso na Penitenciária Estadual de Londrina.

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