São Paulo- Tomar a pílula do dia seguinte ou ter relação sexual com diferentes parceiros ao longo da adolescência são atitudes que fazem parte do cotidiano do jovem brasileiro de classe média com idade entre 13 e 16 anos. Pesquisa realizada com 6.308 alunos de escolas particulares de todo o País revela que 22% deles perderam a virgindade.
Nesse universo, de 1.383 jovens não-virgens, 22,1% disseram já ter tomado a pílula do dia seguinte para prevenir a gravidez. Além disso, 19% responderam que tiveram relação sexual com pelo menos cinco parceiros (nesse item há uma diferença quando o dado é desmembrado entre meninos - 23,2% afirmaram que sim - e meninas - 10,4%). E 14% fizeram sexo com alguém que conheceram pela internet. No geral, 25% tiveram a primeira relação sexual aos 14 anos.
A pesquisa foi realizada no primeiro semestre deste ano com alunos de 270 escolas particulares brasileiras que são conveniadas ao Portal Educacional, entidade responsável pela aplicação dos questionários. Andréia Maia Santana, uma das coordenadoras do estudo, explica que os professores das escolas participantes receberam capacitação e acompanharam os alunos no momento em que responderam o questionário via internet. Dos adolescentes que afirmaram ser virgem, 85% disseram já ter ''ficado'' com alguém.
No entanto, é o comportamento dos 22% que afirmaram ter perdido a virgindade até os 16 anos que chama atenção. A suspeita de gravidez, por exemplo, foi alta no universo pesquisado: 42,3% acharam ter engravidado alguém, no caso dos meninos, ou ter ficado grávida, no caso das meninas. Apesar de 86% dos jovens relatarem ter usado camisinha, o número de meninas que tomaram a pílula do dia seguinte é significativo, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
É nesse contexto que os especialistas alertam os pais para que não fechem os olhos à nova realidade da juventude. Segundo o psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Thiago Fidalgo, os números da pesquisa confirmam dados encontrados em estudos anteriores e chamam a atenção para a falta de planejamento do jovens quando o assunto é vida sexual.
A orientação dada pelo psiquiatra é que os pais, ao tomarem conhecimento dessa realidade, chamem os filhos para conversar. ''E não é só o sexo que deve estar pautado nessa conversa. As notas da escola e a prevenção ao uso de drogas. Não dá para evitar que o comportamento dos jovens tem mudado.''
Além das famílias, a escola também deve acompanhar o comportamento atual dos jovens. Uma forma de garantir que os programas de prevenção atinjam de fato o cotidiano dos jovens é tentar organizar os temas em conjunto com os adolescentes. ''De nada adianta a escola falar para o jovem que ele não pode ter relação sexual sem camisinha. Ele precisa ter informações que o façam de fato entender essa necessidade.''

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