A Folha visitou a casa de C.B.S., que se mudou há um mês para Pirapora do Bom Jesus, município da Grande São Paulo. Em busca de emprego, ele foi morar com o pai (um carpinteiro) e a irmã. Na casa, estava apenas um dos irmãos de C., L.B.C., 17 anos. Ele trabalha no corte de cana, mas por problemas na área industrial da destilaria, ficaria uns dias sem trabalhar. O adolescente, que como os irmãos, também é sobrevivente do trabalho da Pastoral da Criança, estava se preparando para o almoço.
Para cozinhar, ele usava em um fogareiro improvisado no quintal com tijolos, uma placa de ferro e lenha. ‘‘O bujão está vazio e ninguém tem dinheiro para comprar. O pai não tem mandado o dinheiro de São Paulo e a coisa tá feia’’, explica. Na panela, ervilha, alimento conseguido em uma doação, que seria misturada a arroz e feijão. ‘‘A carne ainda não deu para comprar’’.
L. vive com um irmão de 19 anos – que é casado com uma garota de 15 anos, A.V., e tem uma filha de quatro meses – outro de 15 e um de 11. L. é atualmente o arrimo da família. A mãe, de 35 anos, que também trabalhava no corte de cana, foi internada por L. em uma clínica de recuperação de alcoólatras em Londrina na semana passada ‘‘Ela tava bebendo demais. Ficava o dia inteiro deitada com a garrafa de cachaça’’, disse, quase chorando.
Com uma rotina massacrante, L. abandonou os estudos na 6ª série. Sai de casa às 5h30 e só retorna 14 horas depois. Ganha R$ 170,00 brutos. ‘‘Chegava muito cansado na escola, perdia as primeiras horas. Não dava mais. Desisti, mas quero voltar’’, diz, desapontado. O adolescente já sofreu na pele o primeiro revés típico do não prosseguimento dos estudos. Morou com o pai durante sete meses na Grande São Paulo e voltou sem conseguir emprego. ‘‘Todo mundo dizia que não dava para trabalhar sem estudo’’.

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