O julgamento dos quatro jovens acusados de queimar vivo o índio da tribo pataxó Galdino Jesus dos Santos, em abril de 1997, começou ontem em Brasília, em meio a uma grande expectativa. Os acusados (um deles menor de idade na ocasião) podem ser condenados a até 30 anos de prisão por jogar gasolina no cacique da tribo pataxó e atear fogo enquanto ele dormia em uma parada de ônibus em Brasília. As queimaduras que afetaram 95% do corpo do índio causaram sua morte 24 horas depois.

O julgamento dos jovens Max Rogério Alves, Antônio Novely Cardoso de Vilanova, Tomás Oliveira de Almeida e Eron Alves de Oliveira deve se prolongar por três dias, em meio a fortes medidas de segurança.

Um grupo de índios pataxós se deslocou da Bahia a Brasília para reclamar Justiça. O julgamento criou uma expectativa em razão da batalha judicial iniciada nos últimos anos para reduzir o grau de responsabilidade dos acusados na morte de Galdino Jesus dos Santos.

Max Rogério Alves, primeiro acusado a prestar depoimento sobre o assassinato disse que não tinha a intenção de matar o índio. Max disse que ele e os outros quatro acusados do crime se inspiraram em uma ''pegadinha' de tevê para atear fogo no índio.

O outro acusado, Tomás Oliveira de Almeida, pediu perdão à família do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos. ''Eu quero pedir perdão. Gostaria que eles perdoassem a gente porque não tínhamos consciência de que o ato poderia causar tanto sofrimento'', disse o réu. Tomás foi o segundo acusado a prestar depoimento ontem, primeiro dia do julgamento.

Algumas pessoas que assistiam à sessão, aparentemente incrédulas com o
mea-culpa, riram da declaração do rapaz.

Eron Chaves de Oliveira, terceiro acusado a prestar depoimento, afirmou que foi ele quem jogou álcool contra o pataxó. Ele disse que o fogo atingiu a garrafa com álcool e ele então a largou e saiu correndo. O acusado, assim como outros réus que prestaram depoimento ontem, negou que tivesse intenção de matar o índio.

Antônio Novely Vilanova, o quarto acusado a depor, chorou ao comentar o momento em que a polícia o prendeu em casa. ''Aquele momento nunca acabou para nós. A gente não previa que aquilo poderia acontecer', disse. ''Eu confesso que errei e já paguei por isso, ficando 5 anos na cadeia. Foi horrível', afirmou, chorando bastante.

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