Jovem de Ponta Grossa é linchado e morre após acusação injusta de homicídio
Internado por oito dias, Deivison Andrade de Lima não resistiu aos ferimentos e faleceu nesta segunda (26); real autor do crime contra Kelly Quadros foi preso um dia depois da agressão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Internado por oito dias, Deivison Andrade de Lima não resistiu aos ferimentos e faleceu nesta segunda (26); real autor do crime contra Kelly Quadros foi preso um dia depois da agressão

Uma semana após ser alvo de um linchamento em Ponta Grossa (Campos Gerais), acusado injustamente de um crime que não cometeu, Deivison Andrade de Lima, 23, morreu nesta segunda-feira (26). Ele foi culpado pela morte de Kelly Cristine Ferreira de Quadros, 42, encontrada no dia 16 de janeiro com sinais de agressão, e agredido no dia 18. O real responsável foi preso e confessou o homicídio um dia após o ataque ao rapaz.
Deivison chegou a ser socorrido em uma UPA da cidade, mas não resistiu aos ferimentos causados pelo espancamento. Em entrevista à TVCI, emissora de televisão local, a mãe do jovem, Viviane Andrade, disse que ouviu do próprio filho que ele havia sido confundido com outra pessoa.
"Quando eu cheguei (na UPA), o meu filho ainda estava consciente e falou que três homens colocaram ele dentro de um carro e estavam levando ele para o matagal. E, na caminhada, eles falavam que ‘iam fazer com ele exatamente o que ele teria feito com essa moça’”.
Autor foi preso
Um dia depois do linchamento, no dia 19, um homem de 43 anos foi preso em flagrante, acusado do homicídio. Ele confessou à polícia que teria matado Kelly com uma pedrada em função de um desentendimento, alegando que os dois teriam feito uso de drogas.
Segundo o delegado que investiga o caso, Luis Timossi, Deivison não teve qualquer envolvimento com o assassinato. A PCPR (Polícia Civil do Paraná) abriu um inquérito para investigar a morte do jovem, mas não confirmou se os suspeitos de envolvimento no linchamento já foram identificados, ou quantas pessoas participaram das agressões.
“Eu espero que a justiça encontre os culpados e que eles paguem na Justiça o que eles fizeram para o meu filho. Que isso não fique impune”, pediu Viviane.
(Com Agência Brasil)


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


