Rio, 24 (AE) - A pesquisa "Fala Galera", da Unesco, aponta um jovem preconceituoso, que dá mais valor ao patrimônio do que ao ser humano. Segundo o trabalho, apenas 25% dos 1.220 adolescentes entrevistados consideram "muito grave" humilhar homossexuais, travestis e prostitutas. Cerca de 250 pessoas do grupo não considera ruim tal comportamento. Já quase 70% dos jovens acham que pichar muros e patrimônio é muito mais grave.
"Isto mostra o grau do preconceito desses garotos, que vêem mais importância nas coisas do que nos seres humanos", avalia Maria Cecília Minayo, da Fiocruz, uma das coordenadores da pesquisa. O preconceito contra homossexuais foi reafirmado pelos educadores. Segundo os professores entrevistados, 60,1% de seus alunos discriminam antes mesmo de conhecer direito a própria sexualidade.
Nas abordagens qualitativas da pesquisa, os homossexuais são identificados por frases agressivas, como "tem que apanhar mesmo, meter o pau"; ou "ser for gay assanhado, apanha".
Vantagem - A cultura do tirar vantagem também está disseminada entre os jovens cariocas de todas as classe sociais. Vinte e um por cento dos entrevistados das classes mais pobres e 16,6%, das mais ricas acreditam que ter boas relações com pessoas influentes e ser mais malandro contam mais na hora de obter sucesso pessoal. Apenas 5% dos mais ricos e 7,5% dos mais pobres acham que ser honesto ou dedicado pode influienciar nesse resultado. A maioria dos jovens cariocas, porém, aposta suas fichas no esforço pessoal (na escola e no trabalho) como determinante para atingir o sucesso - 73% nas faixas A e B e 63 5%, nas C, D e E.
Drogas - O álcool é a droga mais consumida entre os jovens. Cerca de 800 mil adolescentes entre 15 e 20 anos, dos 1 7 milhão existentes na cidade, consomem alguma bebida alcoólica - principalmente cerveja. O maior consumo é acompanhado pela crença equivocada de que bebida alcoólica não é droga - 36,6% das classes populares e 31,9%, das médias e altas, acreditam nessa afirmação. Mais distante, aparece a maconha, com cerca de 80 mil usuários (4,6%), e a cocaína, com aproximadamente 19 mil consumidores (1,1%)."Os jovens dizem que há uma grande oferta de drogas em praticamente todos os lugares do Rio, mas muitos não consomem por puro medo", afirma Maria Cecília. Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores é a visão dos entrevistados em relação a polícia de modo geral. "A instituição policial não é vista como algo capaz de dar segurança, mas como um inimigo presente", diz Maria Cecília. "E o pior: essa opinião é compartilhada por todos as classes sociais."

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