Jovem classe média amplia a violência
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terça-feira, 25 de novembro de 1997
Edson Luiz Agência Estado 
Dida Sampaio/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Brasília violentaEm primeiro plano, o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregório, divulga o resultado da pesquisa no DFPesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco), divulgada ontem, mostra que os jovens da classe média de Brasília passaram de vítimas a agressores. Eles contribuíram para o crescimento da violência entre adolescentes, que aumentou, em dezesseis anos, mais de 700%. O jovem morador do Plano Piloto do Distrito Federal não acredita mais nas instituições, na Igreja, nos políticos, na Justiça e no governo - só confia na família. Além disso, apesar de estar bem próximo do poder, é alheio à política.
A pesquisa feita pela Unesco - financiada pelo governo do Distrito Federal e Secretaria Nacional dos Direitos Humanos - entrevistou 401 jovens de 14 a 20 anos e 400 adultos, pouco depois que cinco jovens da classe média de Brasília queimaram vivo o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, em abril deste ano. O perfil encontrado foi o mesmo dos matadores do índio pataxó, e não muito diferente dos jovens do restante do País.
Fábio Motta/AE
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Rio violentoJipes do Exército ocupam ruas e favelas do bairro de Guadalupe, no Rio, para recuperar fuzis roubados de quartelA mostra revelou que 84,5% dos jovens gastam a maior parte do tempo conversando com amigos, principalmente à noite. Outros 68,8% preferem ouvir música, enquanto que 64,8% gostam de televisão. Dos 401 entrevistados, 77% nunca trabalharam.
Faltam propostas para o futuro, justifica o governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque (PT), assegurando que em muitos Estados ocorrem fatos dessa natureza e o perfil dos jovens é quase o mesmo. Mas apenas aqui em Brasília fizemos isso, tomamos providências quando o índio foi morto e encaramos o problema.
Os jovens brasilienses também preferem os bares e as noites para ocupar seu tempo e não se misturam com os moradores das cidades-satélites. Brasília é considerada por eles uma redoma, uma cidade protegida, uma cidade de iguais, diz o coordenador técnico da pesquisa, Julio Jacobo Waiselfiz. Falta contato entre os jovens do Plano e das satélites.
Para os pesquisadores, a morte de Galdino chamou a atenção para outros atos de violência no Distrito Federal, cometidos por jovens da classe média. Ataques a mendigos, arrombamento de carros, agressões a homossexuais e prostitutas são alguns dos casos que tornaram os jovens da classe média produtores, não vítimas da violência.
No Distrito Federal, o total de homicídios em 1979 era de 2,3% dos óbitos, mas em 1995 subiu para 7,8%, um incremento de 240%. Entre os jovens, as taxas de criminalidade são bem maiores, subindo de 4,8% em 1979 para 38,5% dezesseis anos depois, um acréscimo de 702%.


