Jovem Cientista premia vencedores
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quinta-feira, 02 de julho de 1998
Sandra Sato Agência Estado 
O oceanógrafo Humber Agrelli de Andrade, de 28 anos, é o vencedor deste ano do XV Prêmio Jovem Cientista, na categoria graduados, entregue ontem em Brasília. Ele criou um sistema de cruzamento de informações sobre correntes marítimas com imagens de concentração de microalgas e temperatura da água, captadas pelo satélite NOAA, que permite produzir um mapa indicando áreas mais prováveis da localização de cardumes de bonito listrado, o atum mais consumido no Brasil. Ele ganhará R$ 15 mil como prêmio.
Toda semana, as variações ambientais nos oceanos mudam o cenário de pesca, explica o pesquisador. Ele acredita ser possível aumentar em 15% a pesca do atum que chega a 25 mil toneladas por ano no Brasil. Nos últimos quatro anos, o pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (Univali-SC) fez previsões diárias sobre a localização do atum na costa do Sudeste e Sul do País.
Andrade estima que para montar a estação de monitoramento do atum seriam necessários de R$ 80 mil a R$ 100 mil. No futuro, as embarcações em alto mar poderiam receber o mapa feito pela estação indicando os melhores locais de pesca do peixe, bastando ter a bordo o imarsat, equipamento de fax de longo alcance.
O concurso é patrocinado conjuntamente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Grupo Gerdau e Fundação Roberto Marinho. O tema deste ano foi Oceanos: fonte de alimentos.
Na categoria graduados, foram premiados também Wilson Wasielesky Junior, da Fundação Universidade do Rio Grande (Furg), e Felipe Matarazzo Suplicy, da Universidade Federal de Santa Catarina.
Entre os estudantes o vencedor foi Humberto Gomes Hazin, aluno do 5º período de Engenharia de Pesca da Universidade Rural de Pernambuco. Com sua pesquisa, embarcações artesanais passaram a pescar com o espinhel, uma linha de até dois mil anzóis, elevando a produção média semanal de 300 quilos para até duas toneladas.
A segunda colocada, Maria Luiza Camargo Pinto Ferraz, era a mais radiante da cerimônia realizada ontem no CNPq para a entrega dos prêmios. Com apenas 23 anos, a estudante da Furg projetou um cercado com taquaras e redes de poliéster para que os pescadores da Lagoa dos Patos, na Ilha da Torotama (RS), criassem camarões rosa.


