Dois estudantes ficaram feridos com disparos de arma fogo, feitos por um colega de classe no Colégio Estadual João Manoel Mondrone, em Medianeira (Oeste), nesta sexta-feira (28). O atirador, também adolescente, alega que sofria bullying e teria armado a ação com outro colega da mesma idade. Segundo o 14º Batalhão de Polícia Militar (14º BPM), pertencente ao 6º Comando Regional da PM (6º CRPM), a situação ocorreu por volta de 8h40 e houve uma rápida intervenção policial, que cessou o ataque. Os suspeitos foram apreendidos e duas vítimas foram socorridas e encaminhadas para atendimento médico. A ocorrência provocou pânico entre os alunos, que fugiram da unidade escolar. Alunos publicaram vídeos do ataque em redes sociais, que mostram os momentos de desespero.

Uma das pessoas que estava na sala de aula relatou à FOLHA que 18 alunos participavam de aula de história, quando o atirador deu um chute na porta da sala. "No começo todos acharam que era uma brincadeira", relatou a pessoa, que pediu para não ser identificada. O atirador apontou a arma para os alunos em busca de uma pessoa específica. "Ele apontou a arma para os alunos, mas não atirou em ninguém", disse a testemunha, que teve a arma apontada contra sua cabeça. "Ele viu que não era quem ele queria, e foi embora", destacou.

Ela contou que ao ver quem estava portando a arma, todos acharam que fosse brincadeira, mas ao ouvir os tiros na outra sala, as pessoas se deram conta que algo ruim estava acontecendo. "Aí todos entraram em desespero e saíram correndo", declarou. "Eu não o conhecia, mas amigos que o conheciam disseram que nunca teve comportamento estranho, mas também não tinha amigos." Uma das vítimas segundo ela, estudava em sua sala. "Ele levou um tiro na perna. Estão todos em choque.".

Outro aluno relatou que se sentiu em pânico. "Um dos meninos de minha sala foi confundido com o irmão gêmeo dele e levou o tiro quando estava correndo", relatou. "Depois desse tiro eu saí do colégio em choque. Procurei meus amigos para ver se estavam bem. Depois que os atiradores foram detidos, voltamos para pegar nossos pertences e fomos embora", disse a testemunha. O atirador sempre foi uma pessoa calma, e muito inteligente, afirmou.

Segundo informações da Polícia Militar, os adolescentes entraram na escola armados com uma garrucha calibre 22, com 65 munições intactas, seis munições deflagradas, três caixas de bombinhas tipo rojão com 56 unidades no total, uma faca, duas bombas de fabricação caseira e uma mochila. Segundo o tenente Dusinski, ambos estavam com material explosivo, aerossóis, bombas de fogos de artifício. "Chegaram na primeira sala e não acharam os alvos. Foram na segunda sala, apontaram a arma de fogo e falaram para os outros alunos para sair da sala", destacou. Os alunos acharam que era brincadeira, e os agressores deram a volta e foram pela janela, por onde efetuaram o primeiro disparo. "Um aluno foi atingido nas costas e o outro aluno foi atingido na perna", destacou. Os demais alunos foram ao piso superior para fugir, e os agressores ficaram fechados na outra sala.

A PM deu voz de abordagem aos adolescentes, que efetuaram dois disparos na porta. Após efetuar os disparos, o adolescente com a garrucha correu para uma sala do segundo piso para se esconder. "Os policiais adentraram e efetuaram disparos contra os adolescentes, que não atingiram os jovens e conseguiram render a dupla. Em diligência à residência de um deles foram localizadas mais munições, duas espingardas, vários recortes de notícias similares a esses ataques que ocorreram nos Estados Unidos, de alunos que entraram na escola e efetuaram disparos."

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- 'Bullying é um tipo de violência grave'

Ao todo foram oito disparos registrados. O atirador teve tempo de recarregar a arma durante o ataque. O plano de ambos seria que o adolescente armado com a faca trancasse a porta para que ninguém saísse. "Mas, na hora do ocorrido, ele disse que travou e não conseguiu cumprir o combinado", afirma o repórter "Magrão", do site Guia Medianeira, que conversou com o adolescente. Ainda segundo "Magrão", o adolescente escreveu uma carta de duas páginas na qual pede perdão pelo que faria e justifica suas atitudes extremas. A Polícia Civil, entretanto, não pretende divulgar o conteúdo.

O delegado da Polícia Civil, Denis Merino, ouviu os pais do agressor. "Foram encontradas armas com o pai e lavramos o flagrante por omissão de cautela na guarda da arma de fogo e porte ilegal de armas. Está tudo irregular. São armas de baixo calibre que foram adquiridas porque ele é um colono de sítio. Já analisamos documentos que apontam que ele sofria bullying na escola, mas nada justifica a ação", declarou. Os menores foram apreendidos e serão encaminhados para um centro de socioeducação.

O Siate foi acionado e fez o encaminhamento das vítimas. Uma delas, de 18 anos, foi ferida nas costas e está em estado grave. O rapaz foi levado a Foz do Iguaçu para receber o atendimento médico. O outro estudante, atendido no Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Luz, em Medianeira, sofreu um tiro de raspão na perna e não corre risco de morte. A primeira vítima, entretanto, não era o alvo do atirador, que teria gravado um vídeo, ao sair de casa, no qual dá os nomes de oito pessoas que pretendia atingir.

A tia de um dos agressores, Ana Thomé Slongo, disse que o sobrinho é quieto. "Fiquei sabendo pelo noticiário que ele sofria muito bullying na escola. Ele é fechado e nunca reclamou nada comigo. Foi uma surpresa para todos nós. Nem cheguei a conversar com os pais dele", destacou.

Dois vídeos foram gravados por um dos agressores antes de atirar contra os colegas de turma. Ele atribuiu a "culpa" pelos ataques aos colegas que praticavam bullying contra ele. Ele também responsabilizou os pais por "não educarem os filhos" que o agrediram.

Os hospitais não divulgaram informações sobre o estado de saúde das vítimas.

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