Jospin toma distância da Terceira Via
Paris, 09 (AE-AP) - Defendendo a individualidade francesa, o primeiro-ministro Lionel Jospin distanciou-se hoje (09) de uma plataforma de centro-esquerda lançada por seus colegas alemão e britânico.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, anunciaram ontem um programa de centro-esquerda visando reformas econômicas: o denominado "manifesto de modernização".
Trata-se de um documento comum, intitulado "Europa: a Terceira Via-O Novo Centro", que pede por reformas estruturais e mais flexibilidade trabalhista. Os dois líderes também pediram por impostos mais baixos na União Européia.
Jospin, cujo governo favorece a intervenção estatal e está tentando encurtar a semana de trabalho de 39 para 35 horas para reduzir o desemprego, disse que é importante que a França permaneça à margem do pacto.
"Nós não estamos isolados. Nós somos diferentes", disse o premier a jornalistas depois de uma reunião semanal de seu gabinete. "É porque nós somos completamente nós mesmos - não apenas a França, mas também a esquerda francesa, este governo - as pessoas precisam de nós", acrescentou Jospin.
Blair assumiu o poder em 1997 e descreve a sua "Terceira Via" como uma plataforma localizada entre o capitalismo de livre mercado e o socialismo nacionalista. Desde que Schroeder assumiu o cargo de chanceler, em setembro de 1998, os Sociais Democratas alemães desenvolveram fortes relações com os trabalhistas de Blair.
As novas relações causaram preocupação em Paris de que o eixo franco-alemão, importante na construção e fortalecimento da União européia, pode ser debilitado com o passar do tempo - temor negado pelo próprio Schroeder.
Para Jospin, a esquerda francesa tem uma visão mundial diferente. "Eu penso que nós somos diferentes, originais... nós somos menos livre mercado", disse ele, acrescentando que a França não vê os Estados Unidos como um modelo.





