Jospin sob "tempestade parisiense" por declaração sobre Hezbollah
Paris, 28 (AE-AP) - Depois de receber uma chuva de pedras na Cisjordânia, o primeiro-ministro Leonel Jospin parecia hoje (28) fadado a enfrentar uma "tempestade parisiense", nas palavras de um ministro, por ter se referido aos ataques da guerrilha do Hezbollah, apoiada pelo Irã, como terroristas.
O Partido Socialista, de Jospin, anunciou "não lamentar" a declaração feita no sábado pelo primeiro-ministro numa visita ao Oriente Médio, e caracterizou o incidente como um passo no sentido de se dizer a verdade nos assuntos internacionais.
Entretanto, opositores políticos pintaram Jospin como um amador tropeçando no delicado campo da diplomacia.
Jospin foi repreendido pelo presidente conservador Jacques Chirac no fim de semana, com o chefe de Estado francês - tradicionalmente responsável pela política exterior - dizendo por telefone que os princípios básicos da diplomacia francesa, equilíbrio e imparcialidade, foram colocados em questão.
Jospin sofreu um leve ferimento na cabeça quando estudantes o apedrejaram na Universidade de Bir Zeit por ter-se referido aos ataques do Hezbollah contra tropas israelense no sul do Líbano como ações "terroristas."
A França há muito apóia Beirute em seus esforços para conseguir a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano. Israel tem prometido sair até julho.
"O Partido Socialista não lamenta o que foi dito", disse hoje a primeira-secretária François Hollande a rádios francesas, porque "esse movimento (Hezbollah) precisa ser caracterizado pelo que é: um movimento desfavorável ao processo de paz".
A líder do Partido Socialista acrescentou que acredita "que existe um momento na vida internacional quando alguém tem de dizer o que pensa".
O ministro da Agricultura Jean Glavany previu "uma tempestade parisiense por uma palavra" e pediu por calma antes de se fazer um julgamento.
O congressitas conservador Pierre Lellouche não esperou.
Ele afirmou que a declaração de Jospin foi equivalente a um "desejo deliberado de pôr fim à noção (francesa) de domínios especiais e de impor equidade entre o presidente e o primeiro- ministro.
"É total amadorismo. Jospin se desacreditou".
Lellouche, do Partido União pela República, de Chirac, entrevistado pelo diário France-Soir, acrescentou que "a imagem presidencial que (Jospin) estava tentando construir com sua viagem foi comprometida".
Jospin tem sido visto como provável candidato na eleição presidencial de 2002, possivelmente contra Chirac.
Manchetes dos jornais refletiram a mudança da sorte para Jospin, que tem sido um popular primeiro-ministro desde que assumiu o cargo em 1997.
"Jospin: O Erro", foi a manchete de primeira página do diário conservador Le Figaro. "Jospin na Tormenta", lia-se no tablóide Le Parisien. "Os Três Dias que Abalaram Jospin", escreveu o esquerdista Liberation.
O líder centrista Herve de Charette, um ex-ministro do Exterior, disse numa entrevista ao Le Figaro que a viagem de Jospin ao Oriente Médio foi um "fracasso, não apenas para ele e seu governo. Foi um fracasso para a França".
Ele acrescentou que, daqui para a frente, a posição da França "será marcada pela dúvida".
Jospin deveria fazer uma aparição pública na noite de hoje na cidade ocidental de Nantes. Seu gabinete ainda não comentou sobre o incidente que continuou a reverberar por todo o mundo árabe depois da partida de Jospin.





