Jospin e Chirac mantêm rivalidade áspera Do correspondente Gilles Lapouge8/Mar, 12:29 Paris, 8 (AE) - Entre os dois chefes do executivo francês, o presidente Jacques Chirac (direita), e o primeiro-ministro Lionel Jospin (esquerda) a rivalidade é áspera. Cada qual tenta atrair os favores da opinião pública, evitando porém ao mesmo tempo uma "guerra aberta" porque, se os dois desembainharem os punhais, a França se tornará ingovernável e os ambos naufragarão juntos. Portanto, apenas duelo, entre sorrisos e gentilezas, duelo "à fleurets mouchetés", com floretes embotados. Mas, apesar disso, duelo feroz, porque os dois homens - Chirac, pela direita, e Jospin, pela esquerda - se confrontarão durante dois anos, em vista das eleições presidenciais. Até agora, eles se mantinham num "pelotão cerrado". Lionel Jospin tinha uma pequena vantagem sobre Chirac. O presidente fazia de tudo para tirar o atraso e ultrapassar Jospin, mas de nada adiantava. O primeiro-ministro, necessariamente mais presente do que o presidente, mantinha a dianteira. Mas então houve uma reviravolta: a última pesquisa de opinião pública revela que, se as eleições fossem hoje (portanto dois anos antes das verdadeiras eleições presidenciais), Jospin teria apenas 48% dos votos, enquanto Chirac teria 52%. Uma grande distância. Primeira explicação: a "tolice" feita por Jospin no Oriente Médio quando se referiu aos "terroristas do Hezbollah libanês", uma expressão que provocou o furor dos árabes e uma repentina escaramuça, na qual Jospin correu verdadeiro perigo. Esta explicação parece-me insuficiente: em primeiro lugar, Jospin disse apenas coisas de "bom senso". Com certeza, teria sido melhor não dizê-las, mas este "descarrilamento" confirma que Jospin é um homem leal e corajoso, pouco adepto da hipocrisia que faz tanto mal à política. Portanto, deve haver outras causas para este mal-estar. Provavelmente, certo "imobilismo". Depois de dois anos, o governo está meio parado. Já não tem muitas idéias. Tudo caminha bem, É uma situação confortável. Há menos desempregados. Nada de inflação. Um crescimento rápido, muito bem! Mas Jospin dá a impressão de estar assistindo de camarote, não de estar conduzindo tudo isso.. Além disso, Jospin paga o preço por essa prosperidade que sobreveio depois que ele entrou no governo. É o caso da "caixinha".... O que é esta "caixinha"? O Estado acumulou enormes benefícios, impostos consideráveis. Os bilhões se amontoaram nos cofres, nas caixas. Inicialmente, o poder tentou ocultar esses bilhões (mais ou menos como as pessoas que ganham a loteria nacional evitam contar a outros por receio de que todo o mundo venha pedir-lhes dinheiro emprestado.). Mas a imprensa falou desta "caixinha". E o Estado reconheceu. Mas os franceses perguntaram como foi possível que o orçamento do Estado tivesse acumulado esse superavit de bilhões de francos, ao mesmo tempo em que o governo Jospin aumentava consideravelmente os impostos, tanto o das empresas quanto o das pessoas físicas ou as "contribuições obrigatórias". Outro efeito perverso da prosperidade: muitas categorias sociais mal remuneradas, que há muito tempo não se atreviam a protestar contra a crise e a penúria, sentem-se hoje livres para reclamar uma melhoria. Assim, por causa desta prosperidade, há dois meses vemos estourar greves de todos os lados ( hospitais, escolas, agentes do Tesouro,etc...) que paralisam a vida do país e colocam o governo em situação frágil. É desta forma que se explica a má primavera de Lionel Jospin, até agora amado pelos "deuses" da política. Jacques Chirac é simpático, sorridente, dinâmico, e subiu automaticamente, na mesma proporção em que Jospin desceu. Mas faltam ainda dois anos para as eleições presidenciais e até lá haverá outras partidas de "ioiô" entre os dois chefes do executivo.